30 setembro 2006

 

Conversas de Esplanada


- Compadre, o comercio e o turismo em Alcácer vão para o fundo, como o Titanic.
- Sim, compadre, e como no Titanic, o Executivo só está ocupado a arrumar as esperguiçadeiras.

 

Na Rota do Sal


A embarcação "Salacia" com motor Yamaha de 250 cavalos, 16 lugares


A tripulação e acompanhantes

Só há capitães

Pescador
Flamingos rosas
Cegonha
Apanhador de bivalves
Castelo de Alcácer do Sal com "Casas do Sado"

Fotografias: Miguel Mosquito

Na passada 5ª-feira tivemos o inesperado prazer de navegar no Sado com a equipa “Rotas do Sal”, Celso Santos e Jorge Pina. O primeiro, ainda há pouco tempo Director da Reserva Natural do Estuário do Sado, homem conhecedor de todos os mistérios deste rio que todos os dias nos surpreende e nos deslumbre a alma com a sua fauna colorida e grácil. O secundo, homem vastamente habilitado nos segredos dos rios e dos mares, proporcionou-nos num dia, embora um pouco tristonho, durante cerca de 90 minutos uma viagem muita agradável, na segurança das suas mãos firmes.

Esta sociedade, que se dedica ás actividades de animação ambiental e turismo de natureza, veio para ficar e, se nos juntarmos a eles e a outros homens amantes ou simpatizantes da natureza, do Rio Sado e desta Alcácer que amamos, nos trará esperança e confiança no futuro.
Guy de St. Preux



Rotas do Sal - Actividades de Animação ambiental e turismo de natureza, Lda.
Estação de Caminhos de Ferro
7580-303 -
Alcácer do Sal
TM 962 375 950
e-mail: celsosantos@netvisao.pt
http://rotasdosal.pt



27 setembro 2006

 

Camisa Nova em Calças Routas



Fotografias: Miguel Mosquito

Conversa de Esplanada:
- Compadre, lá ficamos à espera da substitução das "calças", conforme promessa do Município.
- Amigo, como sempre o Município só se preocupou de imediato com a "camisa"

18 setembro 2006

 

A Semana do Turismo


A Ponte Velha de Alcácer


Tive oportunidade de assistir à última sessão da Câmara quando Isabel Vicente, Vereadora de Cultura, apresentou, perante os seus colegas, a «Semana de Turismo», que se realizará entre 23 e 30 de Setembro próximo, em Alcácer do Sal.

Antes de repetir neste blog as críticas que fiz nessa ocasião, durante a sessão da Câmara, esperei, deliberadamente, mais de uma semana para não parecer estar a querer sabotar o evento, incitando eventualmente os meus colegas da restauração a não se inscreverem. Neste momento, as inscrições devem já ter sido todas feitas, pois os eventos devem iniciar-se dentro de alguns dias.

A minha crítica inicia-se por uma constatação:

O turismo em Alcácer, aliás como todo o comércio de retalho, atravessa uma profunda crise, que se agrava de ano para ano sem que os responsáveis da Câmara se apercebam, pois não frequentam os estabelecimentos e não falam com os responsáveis da HORECA.

Existem certamente factores nacionais e internacionais que contribuem para esta crise, mas há sobretudo factores locais, pois a crise é bastante mais grave em Alcácer que no Litoral e no interior do Alentejo. Um factor importante é o percurso da auto-estrada que liga Lisboa ao Algarve; como resultado há cada vez menos pessoas a tirarem tempo para parar em Alcácer. Um outro factor é que as praias de Comporta e do Carvalhal atraem cada vez mais turistas, sem que nem Alcácer nem o interior disso tirem qualquer proveito. Durante a época do calor, as praias enchem-se de milhares de pessoas e os restaurantes perto da costa estão cheios, enquanto que Alcácer está vazia e, mesmo à noitinha, é pouco frequentada.

A época turística termina daqui a três semanas com um resultado mais que medíocre, sobretudo para a restauração. Basta falar com os donos dos restaurantes e das pensões, os distribuidores de café e de bebidas para nos apercebermos disso. Fala-se de uma descida de 20 a 30%.

Mas, desde que subiu ao poder, a equipa de Pedro Paredes não fez absolutamente nada para ajudar o turismo. Em lugar de se isolar e de determinar, à porta fechada, os programas de promoção do turismo, os responsáveis da Câmara deviam começar por consultar os profissionais do sector sobre o ponto da situação, os factores da crise e os remédios a tomar. É neste contexto que proponho a organização de um «Observatório do Turismo».

Além disso, poderiam ter sido implementadas já há muito, algumas medidas pouco onerosas e realizáveis a breve espaço, com um impacto garantido :

• A sinalização de Alcácer nas principais estradas, que envolvem a cidade bem como na auto-estrada;
• O fim da reabilitação do Largo de Camões, de modo que os automóveis que estacionam de manhã não possam aí ficar todo o dia, privando os turistas de espaços de estacionamento (problema dos parquímetros). As pessoas que vêm trabalhar para Alcácer deviam estacionar na margem Sul do Sado.
• A organização de uma base de dados dos restaurantes, dos alojamentos e das empresas de lazer do conselho. (Voltaremos a falar deste assunto)
• A construção de alguns cais nas margens do Rio Sado para facilitar a navegação de recreio. – (Voltaremos a falar deste assunto).
• A limpeza do rio entre Vale de Guizo e a Herdade de São Bento (ramos e árvores que obstruem a passagem). (Voltaremos a falar deste assunto).
• A organização de eventos que atraiam turistas, em vez de os afastar. (Os barulhentos concertos da Semana de Juventude apenas incomodaram as pessoas).

Em vez disto tudo, a Câmara organizou este ano, com um custo de 48,000 €, a Feira Nacional de Aventura, cujo impacto no turismo foi bastante fraco. Havia dois restaurantes que asseguravam o catering, sendo um deles de Palmela, como se não houvesse restaurantes em Alcácer para este tipo de trabalho.

A organização da PIMEL também preferiu os pequenos stands de restauração, vindos do exterior, o que provocou a cólera dos donos de restaurantes de Alcácer que vêem nisso, com ou sem razão, uma concorrência desleal.

No que respeita ao projecto da Semana do Turismo, parece-me que foi concebido mais para dar a conhecer aos cidadãos de Alcácer o seu próprio conselho do que para atrair os turistas. Sobrestima-se totalmente o interesse que possa gerar um sítio arqueológico, como o de Santa Catarina, junto de não especialistas. Mas a minha principal crítica vai para a ideia que, para figurarem no programa, os restaurantes e lojas que desejem participar devem oferecer, durante a semana de 23 a 30 Setembro, uma redução de 10% nos seus preços. Cada um calcula os preços como entende. Ninguém se deve meter nisso, salvo o cliente!

Quando lembrei ao Presidente Paredes que ele centrou a sua campanha eleitoral num slogan em que prometia que ia governar mais em equipa e fazer de modo que os cidadãos de Alcácer pudessem participar mais nas decisões, ele responde-me, tranquilamente, que abandonou essa ideia, pois chegou à conclusão que «consultar as pessoas era uma perda de tempo». «Vivemos numa democracia representativa, fomos eleitos e isso basta para que tenhamos legitimidade para decidir. Dentro de três anos e meio os cidadãos de Alcácer irão decidir, em novas eleições, se fizemos bem ou mal. Se o seu voto for positivo, continuaremos. Se for negativo, retomarei a minha profissão de arquitecto».

Que cada um tire daí as suas conclusões. (continua)
Miguel Mosquito

P . S. A Semana de Turismo e Alcácer coincide com a 5ª Feira do Turismo e da Aventura que se realizará em Beja entre 21 e 24 de Setembro e com o Dia Mundial do Turismo, que será celebrado a 27 de Setembro. Iremos portanto ouvir falar muito de turismo nos próximos tempos.

16 setembro 2006

 

Conversas de Esplanada


“ We come here to Alcácer every two years, because we like to pass our holidays in Portugal and we like Alcácer. But each time, the town looks as if it falls more and more apart.” (“Nos passamos por Alcácer uma vez em dois anos, porque gostamos de passar as nossas férias em Portugal e gostamos de Alcácer. Mas parece que, cada vez, a cidade está mais e mais degradada”. ( Um casal holandês encontrado na Rua Direita, no dia 14 de Setembro)

“ Eigentlich ist das ja eine ganz schoene Stadt. Aber warum sind denn die Haeuser so heruntergekommen ? Das sieht ja ziemlich schlimm aus. Das haette ich mir nie vorgestellt in einem Land wie Portugal. ” ( No fundo, esta vila é bastante bonita. Mas, porquê as casas estão tão degradadas ? Tem um aspecto bastante mau. Nunca pensei que isso acontece num pais como o Portugal”. ( Um casal alemão encontrado na Rua Direita, no dia 15 de Setembro. )

Que responder ?

 

O regresso

O Verão foi mais longo do que se pensava. A canícula era paralisante e só nos abandonou há uns dias. A primeira chuva veio antes do fim das vindimas. Com o regresso às aulas, as férias passaram a fazer parte das recordações. A vida retomou o seu ritmo normal.

Há mais de seis semanas que o blog «Sal d’Alcácer» deixou de ser actualizado e atravessou um período de abrandamento que começou mesmo antes disso, preferindo as imagens aos comentários.

A 5 de Agosto, durante as «tréguas de Verão», este blog completou um ano. É apenas um pequeno «fait divers», mas no entanto menciono-o com um certo orgulho, pois – sem exagerar a sua importância - este «Sal d’Alcácer» parece ter-se tornado numa voz bastante escutada entre os – raros - blogs e forums do nosso Concelho.

«Então isto morreu???????», perguntava-me um dos fiéis visitantes há uns dias. «Volto já» foi a resposta. Mas será impossível continuar ao ritmo anterior. Miguel Mosquito quer tomar uma certa distância em relação aos eventos quotidianos, para se dedicar mais a outras ocupações. Isso não quer dizer que vai passar a estar silencioso. Mas as suas intervenções serão mais raras e pontuais.

O que eu espero é que o gosto pela troca de informações e de ideias se desenvolva no nosso pequeno Concelho de Alcácer e que outras vozes se façam ouvir para animar o debate sobre os assuntos públicos do nosso conselho. E digo «debate» e não troca de calúnias e de insultos. Alcácer do Sal merece que nos ocupemos dele com seriedade.

Sem uma sociedade civil activa, a democracia não pode funcionar. Podemos constatar isso com a equipa do PS no poder. Pedro Paredes que foi eleito Presidente da Câmara com a promessa nuclear de fazer participar os cidadãos nas decisões da Câmara, deu a volta completa, e confessa que não quer saber da democracia participativa. Ele e a sua equipa isolam-se, decidem sozinhos, sem consultar as pessoas envolvidas. É muitíssimo alarmante. Voltarei a este assunto muito em breve.
Miguel Mosquito
P.S. O dia 15 de Setembro marca normalmente o fim da intervenção dos mosquitos. Mas aquí, tudo é diferente.