30 maio 2006

 

Cão como Nós




PINTURAS: STEFAN TUEMPEL

 

CÃES COMO NÓS



PINTURAS: STEFAN TUEMPEL

As pessoas lembram-se da exposição “100 Cães Sem Cães” que foi mostrada, há três anos, em vários sítios de Alcácer do Sal, entre outros na esplanada do Castelo, no Hospital Velho e no Largo de Camões. Neste último lugar, foi abortada brutalmente pela intervenção da Vereadora de Cultura da Câmara da época depois algumas críticas na população, no dia da montagem.

Nas semanas seguintes, apresentamos, uma por uma, as imagens desta exposição e outras imagens da mesma série que nunca eram mostradas em Alcácer. Mas para lembrar-se desta incrível história do aborto da exposição, começamos por publicar mais uma vez a “Fabula dos Cem Cães Sem Cães em Alcácer do Sal”.
Miguel Mosquito

 

A FABULA DOS "CEM CÃES" EM ALCÁCER DO SAL

Como a exposição "Cem Cães - Sem Cães" foi abortada numa pequena cidade alentejana
Era uma vez um pintor, vindo de longe, que gostava de retratar a alegria e a tristeza, a inveja e a ternura, o amor e a infelicidade, que uns causam aos outros e a si próprios. Em poucas palavras, gostava de mostrar às pessoas um espelho delas próprias e para isso, chamava às suas pinturas "auto-retratos". Mas, em vez de pintar seres humanos, retratava cães. Ao fazê-lo, inspirava-se no famoso escritor francês De La Fontaine cujas "fábulas" são conhecidas em todo o mundo, e que um dia afirmou: "Sirvo-me dos animais para instruir os homens".
Os cães do pintor alemão tinham os dentes compridos. Embora ladrassem em silêncio, ninguém podia duvidar da sua agressividade. Os cães possuíam também os seus órgãos sexuais e, como todo o cão que se preza, não se privavam de os utilizar.
As pinturas em tela dos "Cem Cães - Sem Cães" foram exibidas na Turquia, na Alemanha e por fim em Lisboa, e a Câmara Municipal de Lisboa até enviou uma carta ao pintor para o felicitar sobre o êxito da exposição.
Até que um dia, uma pessoa vinda de Alcácer do Sal, ao ver todos aqueles cães pendurados das árvores do Campo dos Mártires da Pátria em Lisboa, exclamou "Oh, que bela exposição. As pessoas de Alcácer têm que ver isto, pois os cães fazem parte do seu quotidiano e teriam muito a aprender. Talvez não tanto sobre os cães, como sobre elas próprias."
O homem de Alcácer - que na realidade também era estrangeiro, como o pintor - contactou-o, e contactou também o Califado de Alcácer para pedir autorização para exibir a exposição nas ruas da cidade e nas muralhas do castelo.
O Califa e o seu adjunto, responsável pela cultura, acharam esta proposta especialmente atraente, pois a cidade estava em plenos preparativos para a sua festa anual. Como todos os anos, devia haver, entre outros, concursos de cães. Assim, a autorização foi concedida e foi mesmo prometido um auxílio ao estrangeiro, na forma de uma grua mecânica e dois homens para pendurar os cães nas árvores e nos mastros que, com os seus ninhos de cegonhas, são visíveis de longe, na colina do castelo.

Um belo dia de Maio, o pintor chegou a Alcácer do Sal e, com a ajuda de dois homens do Califado, começou a pendurar os quadros de cães nas árvores da praça.
Num dos quadros via-se um cão a tomar banho. Num outro, estava escrito "Quem não tem cão, caça com gato". Num terceiro, via-se um cão enorme, preso com uma corrente e verde de raiva. Um quarto quadro, mostrava um cão, divertido e feliz, a lamber os beiços. E assim por diante.
Por fim, num dos quadros, podia ver-se o cão "Clinton", grande maestro da música. Numa das mãos a batuta, a outra na braguilha, regia o mundo, ondulando na brisa, por cima das cabeças das pessoas.
O banco da "Má língua" na praça, de repente, era sacudido pelos rumores. Acabava-se a sessão da bolsa dos boatos.
Os velhos que, habitualmente, passavam dias inteiros a contar as suas velhas histórias de caça, tinham encontrado caça grossa: "Às armas, cidadãos!"
O apelo fora ouvido e a batida podia começar. As pessoas nos cafés faziam aquilo que nunca tinham feito. Abandonavam o tele-lixo na televisão - a sua droga quotidiana - para discutir arte. Uns troçavam dos cães e em especial do "Clinton", mas outros não achavam piada nenhuma à história do charuto. O vendedor de lotaria levantava o polegar para mostrar a sua concordância. Um outro, chamado "Zig-Zag", sempre à caça dum biscate, chorava a rir e quase que engolia a sua enorme língua. Um tal João perguntava por que razão os cães eram mostrados tão feios, se os animais eram tão belos. "Está a fazer publicidade a quê?", perguntava uma senhora, já bem acima dos oitenta. "Está a ver, Alcácer, está muito parada", foi o comentário amargo de um jovem perante todas estas críticas. E acrescentou: "Do ponto de vista administrativo, Alcácer é uma cidade, mas na realidade, é uma aldeia". "Aqui, tudo é difícil", concordou o seu amigo.
Tinha toda a razão. "Cave canem" (Cuidado com o cão). O artista não podia adivinhar como o aviso num dos seus painéis era actual. De facto, havia atiradores furtivos entre as pessoas da praça. Armados dos seus telemóveis e escondendo bem o rosto, telefonavam para o Califado da cidade, denunciando a "pornografia" que tinha invadido a praça pública.
O Califa e o seu adjunto bem podiam sonhar com a revolução mundial. No quotidiano, era preciso antes de mais preocupar-se com a manutenção da ordem pública. Como esta estava em risco de tombar, era necessário atacar forte e feio. Impensável permitir que aquela canalhada de cães originasse maçadas em Alcácer do Sal.
Assim, sem prevenir o artista nem o organizador da exposição, enviaram uma equipa de seis homens com seis escadas para a praça, com a ordem "Tudo para o meio do chão". Nunca se tinha visto uma equipa de operários municipais agir com tanta rapidez e eficácia. Não havia nada a dizer. Os mesmos homens que tinham levado seis horas para içar seis quadros de cães, levaram agora menos de três minutos para os arrancar.
Assim que os cães caíram por terra, perguntaram ao artista se queria levá-los consigo ou deixá-los na lixeira. Na praça ficou apenas um único cartaz. O do Partido Comunista. "Todos contra a guerra" era o que se podia ler. E ainda a palavra "VERGONHA".
"São estes os "brandos costumes" de que se gabam as pessoas por aqui?" perguntou o artista ao seu amigo estrangeiro. "Um cão que não sai de casa não deve temer qualquer pontapé", respondeu o outro um pouco evasivo.
Após a partida da equipa de intervenção, a praça, pouco a pouco, retomou a sua calma e os cães de carne e osso retomavam o seu sono. Entre os mais velhos, que se lembravam ainda bem dos tempos da "outra senhora", mais do que um tinha a impressão de ter já vivido cenas como aquela a que se acabava de assistir.
No meio da calma reencontrada, alguns dos cães da praça continuavam a cismar. Uma nova inquietação lhes subia à cabeça. Chupavam e voltavam a chupar o seu charuto e perguntavam-se se a nova geração de cães, já de si pouco numerosa, não tinha acabado de emigrar de uma cidade onde não existe nunca razão para ladrar.
O tele-lixo daquele mesmo dia, entre folhetins e talk-shows ordinários, alimentava os seus clientes com um novo episódio da interminável saga da Casa Pia: graças aos seus óculos, um dos deputados da Assembleia da República, tinha acabado de ser identificado nesse mesmo dia, através de uma fotografia, como um dos muitos homens suspeitos de ter abusado, durante anos, das crianças do célebre orfanato de Lisboa. A relação entre poder, sexo e violência: era isso que o artista alemão tinha querido mostrar a seu modo: simplesmente por meio de uma parábola, como o autor das Fábulas de La Fontaine.
Miguel Mosquito

29 maio 2006

 

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Alcácer do Sal: a cidade mais quente do Portugal

A vaga de calor registou Sábado, dia 27 de Maio, temperaturas máximas de 37,4º em Alcácer do Sal, 36,4º em Coruche e 36,1º na Anadia. Ela fez com que nuvens de insectos surgissem em várias partes do País. Em cidades do Centro, como Leiria e Viseu, milhões de borboletas procuraram a todo o custo locais frescos. Em Lisboa, junto ao Rio Tejo e também na Costa de Caparica (35,6º) foi a vez dos mosquitos que fizeram a vida negra aos milhares de banhistas que procuraram enfrentar o calor com um banho fresco no Atlântico.

Alcácer era a cidade mais quente do Portugal, mas só do ponto de visto metrológico. Não falamos do resto, por uma vez. Nesta vaga de calor, podia ouvir-se a conversa seguinte numa esplanada:

- " Aqui em Alcácer, é sempre a inércia que sai vitoriosa. "
- " Sim, sim, as pessoas aqui nascem mortos e morrem mortos."

Aqui em Alcácer, é o Miguel Mosquito que faz a vida negra à gente que abrem a internet a fazem "clique" no blog "Sal d'Alcácer". Parece que na ribeira do Rio Sado há muitos sadomasochistas. -
De toda maneira, a vaga de calor está à destruir o cérebro deste insecto

28 maio 2006

 

Gente de cá: D. Natália Bico



Escola da Barrosinha - Classe de 1947
com a Professora Natália Bico e Gustavo (3º na fila do chão)



D. Natália Bico está na memoria de muitos Alcacerenses. Nasceu em Alcácer em 1921 e, jovem, era professora na Escola da Barrosinha, antes de casar em 1948 e mudar com seu marido para Lisboa. Muitos Alcacerenses se lembram dela como uma pessoa que gostava ensinar, sendo gentil, bondosa e inteligente. Hoje, tem como passatempo escrever algumas memorias e contos, pequenos poemas, tais como o poema “Saudade”, publicado no Livro “Alcácer que Nós Somos” (publicação da Aurpicas)

D. Natália tem família em Alcácer do Sal e por isso regressa regularmente ás suas origens. É num desses regressos que a encontramos num almoço de familia no Restaurante “A Descoberta”:



- Miguel Mosquito: - D. Natália, a fotografia que mostra a Senhora com alunos da Escola da Barrosinha datada de 1947. Há 59 anos portanto. Um dos alunos, o Gustavo de Almeida Ribeiro, está aqui a seu lado. O que lhe lembra esta época ?

D. Natália: De tudo, a escola foi das coisas mais bonitas da minha vida.

M.M. : - Como era esta escola no seu tempo? Mas, primeiramente, porque tinha a Barrosinha a sua própria escola, enquanto hoje as escolas fecham em quase todas as aldeias ?

D. N.: - A Escola da Barrosinha era privada e tinha por missão dar apoio aos filhos do pessoal que trabalhava na herdade. Esta empresa praticava na altura uma acção social que incluía um clube desportivo e recreativo que disputava um campeonato regional de futebol, festas com bailes e alguns festejos populares, além de uma cantina onde o pessoal se abastecia dos mais diversos artigos, alimentares, e não só.

M.M. : - A fotografia mostra vários alunos sem sapatos. Hoje em dia, as pessoas falam com muito saudade desta época. Era realmente melhor ?

D.N. : - Melhor não era de certeza, pois a vida era de grandes sacrifícios para a família, tendo eu assistido muitas vezes à imagem de alunos descalços e mal alimentados, o que me provocava grande sofrimento. Da minha parte tentava amenizar estas situações, com muito afecto e carinho. Sob o ponto de vista afectivo, esta época seria talvez um pouco melhor, dado que havia uma melhor relação professor/aluno.

M.M. : - O que se aprendia nesta época nas escolas primárias?

D.N. : - O programa de ensino, até à então chamada 4ª classe, constava de aritmética, geometria, história de Portugal, ciências naturais, geografia, português, ortografia, caligrafia e desenho. No caso da escola da Barrosinha, misturava-se a 1ª, a 2ª e a 3ª classe que era o ensino primário do 1º grau, porque só havia uma única professora na escola. Por vezes, de minha iniciativa, juntava também a 4ª classe. – Na Escola da Barrosinha o ensino era misto, o que não era o caso das outras escolas de Alcácer.

M.M. - Conte-nos a sua carreira de professora.

D.N. : - Nunca tive formação de professora na Escola Normal, tendo porém formação particular com a Senhora D. Eugénia Marreiros que me preparou para leccionar, submetendo-me de seguida a um exame de Regente Escolar, para o qual fiquei devidamente habilitada para o ensino primário. A partir de 1948 e após ter casado abandonei o ensino e dedicando-me à educação de meus dois filhos. Hoje sou viúva e tenho três netos.

M.M. : - O Gustavo, como se lembra da Professora Natália de então ?

G.A.R. : - Hoje, com sessenta e seis anos, estando perante D. Natália, pessoa que muito estimo e venero, tenho ainda a imagem da jovem professora bonita e de lindo sorriso que nos esperava à porta com os braços cruzados sobre o peito num convite a iniciarmos mais uma jornada escolar. Ainda hoje, esse sorriso não se desvaneceu do rosto da Senhora.


Fotografias: Miguel Mosquito


 

Na Escola da Barrosinha


Classe de Natália Bico em 1947

1 – Custódio Freitas
2 – Alberto Trindade
3 - Domingos Samúdio
4 – Manuel Joaquim Marujo
5 - Custódio Tanganho
6 - João Guilherme (Nabiça)
7 – João Lázaro Butes
8 – Joaquim Freitas
9 - Marília
10 – Maria Augusta
11 – Rosa Carloto
12 – Cremilde Gouveia
13 – Maria Fernanda Tanganho (Bia)
14 - ?
15 – Manuela Ferreira
16 – Maria Natália Bico (Professora)
17 – Maria – Octávia
18 - Maria José Tanganho
19 – Maria Beatriz
20 - Fernanda
21 - Isabel Samúdio
22 – Maria Severina
23 - Maria Inocência
24 – Manuel Luís
25 – Arnaldo Semião
26 - Gustavo de Almeida Ribeiro (Oliveira)
27 – Eduardo Gonçalves
28 – Manuel Ricardo

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Escola da Barrosinha nos anos '40



Ajude-nós à identificar as pessoas nesta fotografia !!
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26 maio 2006

 



a raiva de "hanna"
obriga-nos à introduzir mais uma vez a "filtragem" dos comentários, até esta pessoa se calma.

Pinturas de Stefan Tuempel da exposição "Cem Cães - Sem Cães"

 

Depois de encher os arrozais ...


Fotografia: Miguel Mosquito
regressam as rãs e ... os mosquitos !!

 

Moinho de maré perto de Setúbal
Fotografias: Miguel Mosquito

25 maio 2006

 

Sem apoio político largo ficamos com o "betão"

Alcácer do Sal está a ser aliciado com "propostas de resorts ecológicos", mas que depois "acabam por resultar em loteamentos e betão", resultado que os "Alcacerenses não querem".
(Pedro Paredes no debate sobre o futuro do Distrito de Setúbal)

Comentário: A nossa Câmara Municipal precisa do apoio decidido dos Alcacerenses para um desenvolvimento turístico e urbano "razoavel". Sem um apoio político largo, os funcionários e responsáveis da Câmara -- em Alcácer, como em outros sítios -- não podem resistir as pressões das interesses particulares que pressionam-lhes de todo lado. Por isso, seria bom que o Presidente da Câmara organize um debate sobre o futuro do urbanismo e do turismo neste concelho. Se não, como obter este apoio ? Ou, simplesmente, como saber o que os Alcacerenses querem ou não querem ?
Miguel Mosquito

 
ALCÁCER, NUM DIA, COMO NO ALGARVE ?
NÃO OBRIGADO !!

ALCÁCER DO SAL
TÃO PERTO E TÃO DIFERENTE


 
O matemático Pedro Nunes em frente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal

Montagem: Miguel Mosquito

23 maio 2006

 

Conversas de esplanada

- " Compadre, já sabias que as cegonhas levam os bebés?"
- "Sim, com certeza."
- "Agora, levam também os turistas !"
-"Felizmente, elas fazem tudo o que a Câmara não faz!"

 

A Voz do seu Dono



Os donos mudam,
a Voz do Dono adapta-se para sempre ficar "A Voz do seu Dono".




22 maio 2006

 

Alcácer do Sal: Uma noiva com dois amores


Fotografia: Miguel Mosquito
A Noiva


“Alcácer do Sal é uma noiva à procura de casamento que tem dois amores: a Área Metropolitana de Lisboa e Setúbal e o Litoral Alentejano”, brincou Pedro Paredes durante o primeiro debate do Seminário ‘O Futuro que Queremos para o Distrito de Setúbal’, promovido pelo jornal “Setúbal na Rede” . A Área Metropolitana de Lisboa e Setúbal é onde Alcácer do Sal “faz compras e onde centra serviços”, enquanto que o Litoral Alentejano “lhe permite receber um maior financiamento comunitário (QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional ), daí a “divisão amorosa” que o concelho vive quando se fala na divisão administrativa prevista para a região, que colocaria a península de Setúbal na Área Metropolitana de Lisboa e os quatro concelhos do Litoral Alentejano do distrito na Região do Baixo Alentejo.
Pedro Paredes refere que Alcácer do Sal está a ser aliciado com “propostas de resorts ecológicos”, mas que depois “acabam por resultar em loteamentos e betão”, resultado que os alcacerenses “não querem”. O autarca afirma que o concelho “casará com quem oferecer o melhor dote”, nomeadamente com “aquele que apresentar propostas que enalteçam o rio, o envolvente ambiental, o centro histórico, o desporto e o ar livre”. Uma intervenção concisa e a qual terminou deixando o desejo de que o próximo debate, em Grândola, no dia 26 de Maio, “mobilize mais gente”.
Resumido do jornal electrónico Setúbal na Rede: www.setubalnarede.pt

 

Um espectáculo sem grande valor artístico

Eu devia ter desconfiado, mas, como muitos outros, deixei-me levar pelo nome da companhia: «Ballet de Flamenco de Madrid». Em lugar de ver um espectáculo artístico, digno de uma capital, aturámos um espectáculo comercial, digno de um hotel de quatro estrelas nas praias do Algarve ou de Benidorm.
Neste espectáculo, eram tudo clichés, a começar pela música «de lata», mísera adaptação das melodias andaluzas, ao gosto de um público cuja única cultura são os programas da tarde da TVI. E isto diz tudo….

Quem já viu um bom espectáculo de flamenco, sabe que não há nenhuma necessidade de fumos em cena, nem de cubos sonoros «Knorr» para aguçar o apetite. A simples dança, bem executada e bem acompanhada por guitarristas sérios, é de cortar a respiração e transporta-nos para um outro mundo
A função da arte é precisamente transportar-nos para um outro mundo e dar-nos a ouvir ou a ver coisas que nunca se tinham visto ou, pelo menos, nunca dessa maneira, ou simplesmente nunca tão belas.

Este «ballet de flamenco» utilizou todos os clichés e não revelou nada, a não ser a melancolia da mediocridade. Pedro Almodovar poderia tê-lo utilizado para um dos seus próximos filmes …

O público não se deixou enganar pela qualidade deste divertimento ligeiro. Em vez de se concentrar no que se passava em cena, as conversas iam de vento em popa durante todo o espectáculo e muitas pessoas fizeram como eu: abandonaram a praça antes do fim.

Resta a pergunta: por que é que o Sr. Vereador da Cultura optou por gastar uma fortuna com um espectáculo de uma qualidade tão medíocre? Esperava certamente atrair uma multidão e obter assim uma «solicitação» que poderia ser apresentada como um plebiscito. Mas, mesmo sob esse ponto de vista, o êxito não teria sido assim tão extraordinário. Havia ainda muito espaço vazio na Praça Pedro Nunes.
Miguel Mosquito

Fotografias: Miguel Mosquito

 

Mais um Muro de Vergonha !

Desenho: Chappatte - Le Temps

17 anos depois a caida do Muro em Berlim, o Presidente Bush tem saudades do Muro da Vergonha ..... e quere construir um na fronteira entre os Estados Unidos e o Mexico. Isso não é um sonho de Disneyland mas a realidade cru. Com certeza, não faltarão algumas janelas para vender McDonald's e Coca-Cola. Business is business.

 

Chappatte - Le Temps
"Espere que o jogo tem iniciado, parvo !!"

 

Conversas de Esplanada


- “Compadre, porquê as raposas nunca fazem coco em frente da sua própria porta, mas os homens fazem isso?”
- “Gosto mais das raposas!”
- “Compadre, colocar as caixas de lixo em frente dos restaurantes é uma medida de promoção ou de sabotagem das actividades turísticas ?”
- “Não podes perguntar questões mais fáceis ?!!”

 

25.000 páginas visitadas no blog Sal d’Alcácer

Ontem, o contador do blog Sal d’ Alcácer marcava 25.000 páginas visitadas desde o 1º de Setembro do ano passado. Os visitantes “únicos” são mais de 16.000 e os “reloads” mais de 9.000.

Oito meses e meio de comentários, reflexões e fotografias de interesse essencialmente local. Parece que havia lá um lugar a ocupar no deserto de comunicação local. Mais e mais pessoas voltam regularmente para ver este blog. Na semana passada, eram mais de 100 por dia. Pouca gente tem a coragem de escrever comentários e assinar-lhes, mesmo com pseudónimo. Mas me parece preferível ter poucos comentários de qualidade que muitos anónimos de lixo.

Parabéns aos leitores que suportavam as picadelas do Mosquito até agora. Como os colegas dos arrozais estão à chegar nesta altura, o M. M. vai descansar um pouco e fazer menos comentários e mais ....outra coisa.
Miguel Mosquito

21 maio 2006

 

AS ESTRELAS DA NOITE FORAM ELAS


FOTOGRAFIAS: MIGUEL MOSQUITO

Mais fotografias e comentários à segir.

20 maio 2006

 

Raízes e Transições : Esculturas de Siegfried Barth


Baile

As esculturas de Siegfried Barth emanam de raízes, a maior parte das vezes de raízes de oliveiras. Quem viu alguma vez uma raiz de oliveira fica fascinado com a sua estrutura retorcida de mil abraços, atravessada por uma quantidade de ramagens e de passagens e refractária a qualquer intervenção estranha. Retirada do solo, despega uma vitalidade violenta e que impõe respeito.

Este tipo de raiz rebelde não se presta a esculturas concebidas numa folha de esboços. O artista não pode aproximar-se dela se não observando-a, estudando-a e convivendo com ela durante algum tempo. Não é de admirar portanto que o subconsciente seja agitado por esta matéria insubmissa, jamais morta. Da sua observação nascem associações, possibilidades de interpretação e até fantasmas. À medida que o artista vai intervindo para libertar, pouco a pouco, uma visão, a raiz vai sofrendo metamorfoses. De transição em transição vão-se abrindo novas vias de interpretação. Mas muitas vezes também, o artista acaba por se retrair e por começar de novo.

As esculturas de Siegfried Barth nascem de um combate tanto com as raízes de oliveira como com as suas próprias raízes. As suas interpretações libertam uma força quase mitológica, marcada pela poesia, por sonhos e pesadelos, pelo erotismo. As suas esculturas são como um catalisador que revivifica todas as imagens ocultas no nosso próprio âmago.

Outros trabalhos do artista alemão, esculpidos em madeira de cerejeira ou noutras madeiras, seguem um rumo mais conceptual e «controlado», entre a abstracção e o figurativo.

Siegfried Barth é um artista essencialmente autodidacta. Vivendo só com a filha, numa casa alpendorada nos flancos da montanha de Marvão, continua o seu trabalho de escultor já há quase vinte anos. Vários coleccionadores portugueses e estrangeiros têm vindo a adquirir trabalhos seus. Antes de se instalar no Norte alentejano, este licenciado em Sociologia, apaixonado por viagens, tinha já pisado solo alemão, bem como muitos outros países. Durante muitos anos exerceu a sua actividade como conselheiro junto de jovens problemáticos.
As esculturas apresentadas são da última exposição do artista em Castelo de Vide. Este ano, vai expor mais uma vez nesta vila norte alentejana.

Miguel Mosquito


Duo

Esculturas em madeira de cerejeira


O artista Siegfried Barth (a direita) falando com um visitante
da sua exposição em Castelo de Vide (2004)

Algumas esculturas se encontram actualmente no Restaurante "A Descoberta", em Alcácer do Sal
e nos Restaurantes "Museu de Arroz" e "Ilha de Arroz" em Comporta
Informações: tm 96 678 41 10


Fotografias: Miguel Mosquito

 






FOTOGRAFIAS: MIGUEL MOSQUITO