30 abril 2006

 

A DUPLA MADEIRA/CAETANO PREPARA-SE PARA UM NOVO ASSALTO Á ASSOCIAÇÃO DOS COMERCIANTES

Mesmo nos meus sonhos mais loucos não poderia imaginar tal coisa: Manuel Madeira, antigo Presidente da Associação dos Comerciantes de Alcácer do Sal prepara-se para se apresentar de novo às próximas eleições, previstas em 15 de Maio. Desta vez não como Presidente mas como Vice-Presidente.
E quem para a presidência? Esfrega-se os olhos mais uma vez e sabe-se que o candidato é o "faz tudo" do Gabinete de Apoio ao Presidente da Câmara, João Caetano Clemente.
Os outros candidatos da lista são as mesmas pessoas que já lá figuravam da última vez: Arnaldo Cruz, o "Cubense", Roberto do Restaurante Mondina, e Rui, que gere a taberna atrás da Repartição de Finanças.
Estas candidaturas são estranhas por várias razões: Manuel Madeira, o homem que dirigiu a Associação durante mais de 20 anos, que a paralisou e dividiu durante bastante tempo, está reformado e já não exerce a profissão de comerciante. Assim, segundo os Estatutos da Associação não pode ser eleito para qualquer posto de direcção. O facto de se candidatar, muito embora o exposto só testemunha do pouco respeito que este senhor presta à Associação. Além disso, dá mais uma bofetada na cara dos comerciantes, apresenta-se muito embora tenha sido desautorizado pelo Tribunal que declarou nula a sua última eleição à presidência por violação das regras. O Tribunal, proibiu-o mesmo de pôr os pés nos locais da Associação.
O conflito que tinha oposto a lista do Senhor Madeira à do Senhor Rogélio é suficientemente conhecido e não vale a pena repisar o assunto. O certo é que ele envenenou a Associação durante anos e conduziu-a à beira do precipício.
A candidatura de José Caetano Clemente à presidência da Associação também tem o seu picante. Primeiro, sob o ponto de vista formal, ele não apresentou as cinquenta assinaturas necessárias para a validação da sua candidatura. Procuramos contactar o Senhor Caetano Clemente sobre este assunto mas ele não respondeu aos nossos pedido. Pode-se imaginar que o seu argumento para não apresentar assinaturas será de dizer que se trata da repetição de uma eleição anterior. Mas este argumento não é válido, pois o Senhor Caetano não figurava na antiga lista, em todo o caso como candidato à presidência.
Se a Direcção da Associação de Setúbal não exigir o respeito desta cláusula dos estatutos pode-se prever para já, a apresentação do caso diante dos Tribunais.
Como reagem os outros comerciantes? O Senhor Rogélio Araújo, a quem roubaram a vitória na última eleição, segue a situação de perto. Ele não apresentou a candidatura, pois não está interessado em fazer mais uma vez a recolha das cinquenta assinaturas. Mas mesmo assim, o que se passa revolta-o. Sexta-feira passada foi a Setúbal para dizê-lo à Direcção da Associação Distrital. A mesma estava precisamente a examinar a validade da lista do Senhor Caetano Clemente na presença do Senhor Madeira. O Senhor Rogélio e os seus apoiantes esperam uma resposta….
A candidatura do Senhor Caetano Clemente traz delicados problemas políticos. Este Senhor é ao mesmo tempo contabilista, comerciante, e sobretudo assessor (Vice Chefe) do Gabinete de Apoio ao Presidente Paredes. Os assuntos económicos, comerciais e de turismo são os principais domínios da sua competência na Câmara. Se o Senhor Caetano for eleito Presidente da Associação dos Comerciantes terá que deixar as suas funções na Câmara, senão haverá um flagrante conflito de interesses e o Senhor Paredes terá certamente o primeiro escândalo político.
Será possível que o Senhor Caetano Clemente esteja a preparar a sua saída da Câmara? Nesta ele joga o papel de "picuinhas" que procura controlar tudo, que bloqueia tudo e que não deixa avançar nada. É uma verdadeira pedra no sapato. Mas o facto que ele seja, com João Massano, o único membro activo do Partido Socialista na Direcção da Câmara, torna esta eminência parda mais difícil de contornar.
Miguel Mosquito

27 abril 2006

 

Vila romana de Santa Catarina começa a ser escavada

A Câmara Municipal comunica: A aldeia de Santa Catarina de Sítimos vai começar, na manhã da próxima terça-feira, a ser alvo de escavações arqueológicas que vão envolver os serviços da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, desempregados, jovens voluntários do concelho e de universidades nacionais. A intervenção decorrerá até Julho e tem como objectivo pôr a descoberto a vila romana que se sabe existir naquele local, um terreno que pertence à autarquia desde 1984.

Na verdade, segundo recorda João Faria, vereador da cultura, “a vila romana foi identificada em 1977, quando se procedia a trabalhos de alargamento de uma rua naquela localidade. Apesar de, em 1984, a área pretendida para a concretização do Plano de Pormenor de Urbanização ter sido desanexada e passada para propriedade do município, e de em 1986 se terem iniciado trabalhos arqueológicos, inexplicavelmente estes foram parados até hoje, por desinteresse dos anteriores executivos da câmara”.

“Esta realidade vai agora ser mudada, já que o actual executivo está consciente do potencial turístico e cultural que a ocupação romana, em termos de musealização, pode trazer para a aldeia. Daí ter decidido levar a cabo a intervenção”, explica o responsável.

A iniciativa conta com a colaboração da Associação de Defesa do Património de Alcácer do Sal, da Junta de Freguesia de Santiago e da Associação de Futebol de Santa Catarina.


 

Os Murais de Abril


Algumas pessoas encontradas na rua me pediram republicar as minhas fotografias das "Murais de Abril", porque a qualidade dos primeiros documentos não foi boa. Estas fotografias sofrem um pouco da "patina" do tempo. Pois... pois... Mas a versão electronica é melhor que a versão em papel. Então, mais uma vez .....

Belem

Uma exposição de fotografias da autoria de Michael Noelke
Biblioteca Municipal de Alcácer do Sal, 22 de Abril – 12 de Maio 2002

Esta exposição dos “Murais de Abril” dirige-se sobretudo a todos aqueles com menos de 35 anos, que não viveram pessoalmente o “25 de Abril” nem os anos que se seguiram à queda da ditadura salazarista em 1974. O que é que eles sabem desse período, desses acontecimentos? Provavelmente muito pouco, à parte o facto que a revolução dos cravos deu origem a uma profunda divisão na sociedade portuguesa; que uns estão profundamente ligados à lembrança do 25 de Abril, enquanto que

outros ainda hoje nem querem ouvir falar disso, e que uma grande parte dos jovens não experimenta qualquer espécie de sentimento quando se evoca esse período.

Por que razão então se volta a evocar essa história, que contribuiu para tanta divisão? E sobretudo, qual é o interesse em mostrar imagens que evocam tanto a guerra fria, felizmente ultrapassada, como um pathos revolucionário que - e isto é o mínimo que se pode dizer - está bem longe das preocupações das pessoas de hoje em dia, até mesmo daqueles que se consideram fiéis aos objectivos mais à esquerda?

Lisboa

Exprimo-me como cidadão europeu, mas não Português, que, em jovem, seguiu toda a história movimentada deste país, umas vezes de mais longe, outras de mais perto, ao sabor das minhas viagens a Portugal. Como muitos outros jovens, sofri nessa época, ao ver Portugal submetido a um regime autoritário e anacrónico, que mantinha a sua população sob um manto de chumbo.

Ainda mais do que a miséria, chocava-me a injustiça social que a acompanhava, os jornais que apenas relatavam o que a censura deixava passar, e a ausência de debate nas conversas sociais. Em resumo, como a maioria das pessoas politicamente informadas da minha geração desejava que Portugal deixasse de se esvair numa guerra colonial injusta e igualmente anacrónica, e que se libertasse da ditadura.


Periferia de Lisboa

Ora, devemos constatar que sem o golpe militar do 25 de Abril, a ditadura não teria caído tão cedo, pois o regime vigente resistia a toda a espécie de abertura democrática., digna desse nome. Todos aqueles que encolhem os ombros, sempre que se evoca o 25 de Abril, deveriam pelo menos reconhecer este facto. Felizmente, existem hoje poucas pessoas com saudades do antigo regime.

As imagens dos “murais de Abril” surgiram pouco depois do 25 de Abril. Cobriram as paredes, de Norte a Sul de Portugal . Os autores eram Portugueses, mas também muitos artistas da América Latina: Cubanos, Chilenos e outros, que repetiam nas paredes de Portugal os mesmos temas da luta política que eles haviam conhecido nos seus próprios países. Vinham a Portugal exprimir a sua solidariedade para com os "revolucionários" portugueses.


Lisboa

O que nos dizem estas imagens? Algumas exprimem sonhos: sonhos de uma classe operária unida, sonhos de uma reforma agrária, sonhos de um povo unido (a família de camponeses, feliz, em passeio ao domingo, de tractor, o povo em festa no 1º de Maio). Outras exprimem a luta de classes: os operários que se opõem aos capitalistas, as reivindicações da classe operária.

A presença destas imagens em todas as paredes era uma manifestação de força. Fazia crer num maremoto popular contra as forças da opressão. Os símbolos escolhidos são internacionais: a foice e o martelo, representando o comunismo, a pomba, mensageira da paz, uma mão cheia de trabalhadores coléricos. Utilizavam-se os chavões, não apenas ao nível das ideias, mas frequentemente também ao nível da própria técnica da representação. Deste modo podia reproduzir-se a mesma imagem diversas vezes e em pouco tempo.

É perfeitamente perceptível que a inspiração chegava do estrangeiro - entre outras, ao nível das personagens representadas, em que se reconhecem aqui ou ali as feições de rostos de populações autóctones de diversos países da América Latina.

Quase todas as imagens eram assinadas por um partido ou por um grupo. O partido comunista era o mais presente. Mas alguns outros grupos de esquerda, como o MRPP (Movimento Revolucionário do Povo Português) e a Liga Trotskista estavam muito mais presentes em "imagem" do que na realidade. Como se tratava de uma luta de propaganda, todos os partidos políticos acabavam por nela participar.

O que é próprio da propaganda é apresentar uma visão simplista da realidade. O "povo unido" e até mesmo uma classe operária unida continuam a ser uma utopia. Pouco tempo depois da queda da ditadura, não havia outro remédio senão constatar que os diferentes grupos e os diferentes partidos têm cada um a sua própria visão da democracia. Esta não se instaura com uma varinha mágica.

Trinta dois anos após a "Revolução dos cravos", devemos continuar a constatar que é mais fácil livrarmo-nos de uma ditadura do que construirmos uma democracia. Para que esta seja real, deve ser plural, isto é deve conciliar diversas visões políticas. E mesmo assim continuará a ser imperfeita. A democracia depende do empenhamento de cada um na "coisa pública" (em latim: “res publica”, ou república). Podemos compará-la a um estaleiro cujas obras nunca terminam. Mas vale a pena continuar, porque não há alternativas verdadeiras
Michael Noelke

 

Sede do Partido Comunista em Aljustrel
Fábrica de massa "Nacional" em Lisboa


Belem

Belem


Belem

Marginal, Alcântara

Cais de Sodré, Lisboa

Marginal Belem

Lisboa

Lisboa ?

Lisboa

Lisboa

Belem

Cais do Sodré, Lisboa
Lisboa


 

32 anos, já !



Belem
Grândola

Fotografias: Miguel Mosquito

 

Montemor-o-Novo, a nossa vizinha criativa

A vila de Montemor-o-Novo investe na criatividade, e em particular na criatividade dos jovens. Ela atraie artistas plásticos e músicos de fora e, com Rui Horta, tem um artista de grande reputação internacional que escolho Montemor como sua residência permanente.
Apresentamos aqui uma iniciativa privada que nasceu da cooperação da companhia de Rui Horta e de uma livraria.
Num dos próximos dias, vou tentar de comparar a politica cultural da vila de Montemor com a politica cultural de Alcácer do Sal, (futura?) “capital de cultura e de excelência” do .... (Concelho de Alcácer / Litoral alentejano / Alentejo / Portugal: pergunte ao Presidente da Câmara, porque ele sabe !!).
Por outro lado, quando a cidade de Alcácer, capital ou não de cultura, vai ter finalmente uma livraria ? Já temos três oculistas e cinco ou mais lojas de pesca. Os óculos só servem para ler o programa de televisão e para meter as iscas no anzol ?
Miguel Mosquito

 

À cada um o seu pesadelo


Desenhos: Chappatte - International Herald Tribune / Le Temps

26 abril 2006

 

32 anos depois: um país ainda dividido .....

Anonymous said...

VIVA A LIBERDADE
VIVA OS CAPITAES DE ABRIL
VIVA AS FP 25 DE ABRIL
VIVA O OTELO SARAIVA DE CARVALHO

Terça-feira, Abril 25, 2006 10:51:09 PM

Anonymous said...

...Viva a ETA, Viva a AL-quaeda, Viva o IRA, viva os TUPAC-AMARU, Viva POL-POT, Viva Idi-Amin, viva os assaltantes de bancos, os assasinos, os violadores ... na ultima parte borrás-te a pintura não foi ?

Terça-feira, Abril 25, 2006 11:41:06 PM

comentários reproduzidos do blog Os Observadores
http://osobservadores.blogspot.com

Onde está o sonho: "o povo unido nunca será vencido" ? Fantasmas num cesto de caranguejos ...

 

O Presidente da República quere uma mobilização geral contra a exclusão social

O presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, aproveitava ontem da comemoração do 25 de Abril para denunciar a divisão social e a exclusão social que marcam ainda hoje a sociedade portuguesa e para sugerir uma mobilização geral do pais para combater a injustiça social. Este discurso parece-me tão importante que merece ser reproduzido com alguns cortes. Que quer ler o texto integral deve clicar www.presidencia.pt

Texto:
"Trinta e dois anos após a revolução, o Portugal desta encruzilhada entre o passado e o futuro continua a ser um país fortemente marcado pelo dualismo do seu desenvolvimento......

Profundas disparidades revelam-se na leitura do território. É cada vez maior o fosso entre as regiões marcadas por uma ruralidade periférica e as regiões mais urbanizadas. Mas, dentro destas, ressaltam as que conseguiram manter uma dimensão humana, proporcionando satisfação e bem estar aos que nelas habitam, em contraste com as que se tornaram autênticas chagas urbanísticas, produto da desorganização e da irresponsabilidade, condenando os seus habitantes a um mau viver resignado, sem qualidade e sem horizontes.

A crise do mundo rural não é de hoje. Arrasta-se há décadas, entre ciclos de resistência e de abandono. A vasta faixa do interior do país representa actualmente apenas 15% da população residente.

Muitas políticas foram adoptadas, mas nenhuma conseguiu estancar a fuga das gentes, ora para os centros urbanos do litoral ora para destinos mais longínquos, numa diáspora que teima em persistir.

Iludimo-nos pela presença deste ou daquele equipamento social, fruto do voluntarismo do poder local e dos homens bons que não abandonaram as suas terras, mas tardamos a encontrar um rumo de desenvolvimento sustentável do interior do País que potencie os parcos recursos existentes, que combata a tendência para o despovoamento e que atraia novos recursos materiais e humanos.

No quadro geral de adormecimento de muitas pequenas vilas e aldeias do interior, apraz-nos registar os sinais de esperança que aqui e ali vamos detectando. Portugal precisa de olhar para esses sinais, identificar as boas práticas que os sustentam, reconhecer o esforço que os agentes económicos, sociais e políticos vêm desenvolvendo e, a partir daí, traçar um caminho para que todos se sintam responsáveis e mobilizados para a acção. Há que vencer os obstáculos que nos têm impedido de enfrentar com sucesso a dupla exclusão do envelhecimento e da pobreza que atinge as comunidades do interior de Portugal.

Mas a mais marcante das disparidades que emerge deste Portugal a duas velocidades é a que resulta das desigualdades sociais. O sonho de um País livre e democrático é indissociável da ambição de uma sociedade mais desenvolvida e com mais justiça social.

Julgo poder expressar o sentimento geral ao dizer que muito progredimos na modernização da economia e na afirmação de novos estilos de vida, mas ficámos muito aquém na concretização dessa ambição de uma sociedade com maior justiça social.

O nosso País é, no quadro da União Europeia, o que apresenta maior desigualdade de distribuição de rendimentos. E é também aquele em que as formas de pobreza são mais persistentes. São características estruturais em que pesam o atraso na qualificação dos recursos humanos, a fragilidade das nossas classes médias, a má qualidade do emprego e os baixos níveis salariais em vastos sectores da nossa economia.

É entre a população mais idosa que encontramos as mais preocupantes situações de exclusão. O risco de pobreza persistente, que é relativamente elevado em Portugal, aumenta substancialmente no caso dos idosos.

O esforço que o Estado tem vindo a realizar para atenuar os efeitos deste quadro social tem de ser continuado. Não é moralmente legítimo pedir mais sacrifícios a quem viveu uma vida inteira de privação.

Desagregadas as estruturas familiares de apoio, pelas transformações sociais ocorridas nas décadas recentes, ficaram muitos dos reformados de ontem confinados às pensões do regime não contributivo que lhes não conseguem assegurar uma existência condigna.

E a exclusão – a dimensão de não pertença a que demasiados dos nossos concidadãos se vêem remetidos – é tão intolerável que, por contraste, têm de ser reduzidas à sua devida proporção as controvérsias geradas a propósito de pequenos aperfeiçoamentos dos nossos direitos. Falo dos direitos dos que não são excluídos e das controvérsias em que demasiadas vezes a discussão política se esgota e a atenção da opinião pública se exaure.

Esse é um peso que temos de ter presente na nossa consciência colectiva – mas também na consciência de cada um. O que de mais nobre e mais perene a História deste dia nos deixou, e que queremos legar às novas gerações, é a ambição de um País mais livre, mas também de uma sociedade mais justa. .....

Preocupam-me os casos de crianças vítimas de negligência e de maus-tratos físicos e psicológicos, que regularmente são objecto das notícias dos órgãos de comunicação social. Reparo no número de processos instaurados pelas instituições vocacionadas para a sua protecção....

É nesse mesmo quadro social que encontramos outro dos sinais preocupantes: o da violência doméstica, nomeadamente a que atinge maioritariamente a mulher. Não vale a pena esconder essa realidade silenciada que por vezes escapa à atenção das instituições. Trata-se, antes de mais, de um problema de dignidade humana para o qual não pode haver tolerância nem resignação.

Todos nós acompanhamos com preocupação estes sintomas. Sabemos que os efeitos da crise económica tendem a potenciar esses sinais, nomeadamente através do desemprego de homens e mulheres que, pelo seu nível de escolaridade e pela sua idade avançada, enfrentam dificuldades acrescidas na procura de um novo posto de trabalho. É nestas situações que o risco de exclusão social aumenta.

Para que esse risco possa ser atenuado não chega exigir mais medidas ou mais dinheiro. Concretizar essa ambição de justiça social, que não tem de ser remetida para o plano das utopias, passa por cada um de nós. Todos somos responsáveis, todos temos que assumir a quota-parte de responsabilidade social que nos cabe como cidadãos. Assumir como desígnio colectivo a protecção dos que vão resvalando, lenta e invisivelmente, para a margem de uma sociedade que se quer competitiva e dinâmica, mas também justa e inclusiva.

Temos de romper com o conformismo e o comodismo de relegar para o Estado a única solução do problema.

Temos de conseguir enaltecer, através de uma nova atitude cívica, o exemplo de milhares de cidadãos que, através do voluntariado e da participação em instituições de solidariedade social, encontram um sentido para esse desígnio.

Mas temos também a obrigação de reconhecer que a melhoria da justiça social, o combate à pobreza e à exclusão exigem que o País volte a ganhar a batalha do investimento, do crescimento económico, da criação de riqueza, sem o que o sonho continuará adiado....

Não quero limitar-me ao diagnóstico. ... Quero propor um compromisso cívico, um compromisso para a inclusão social.

Um compromisso que envolva não só as forças políticas, mas que congregue as instituições nacionais, as autarquias, as organizações da sociedade civil, dos sindicatos às associações cívicas e às instituições de solidariedade. Um compromisso em torno de um conjunto de princípios e objectivos que nos orientem na acção colectiva, tendo por alvo os grupos sociais mais vulneráveis.

Estou convencido de que, em relação a este objectivo da inclusão social – tão central à dignidade da pessoa humana - é possível identificar os problemas mais graves e substituir o eterno combate ideológico por uma ordenação de prioridades, metas e acções, em que todos se possam rever e participar.

A elaboração do próximo Plano de Acção Nacional para a Inclusão pode ser aproveitada para uma mobilização geral, uma verdadeira campanha em prol da inclusão social. Um plano que consiga superar o tradicional enunciado de medidas, definindo uma estratégia coerente para um futuro mais promissor....

É, seguramente, aos gestores do momento que cabe decidir os caminhos, mas é onde esses caminhos nos levam que lhes hão-de dar, ou não, o reconhecimento das novas gerações.

Fomos capazes de concretizar o sonho de um Portugal livre e mais próspero, mas estamos longe de podermos realizar a aspiração de maior justiça social.

Os Portugueses esperam dos políticos, que livre e democraticamente elegeram, que estejam à altura dessa exigência, que se empenhem em dar uma nova esperança aos mais desfavorecidos da nossa sociedade, que cooperem no sentido de mais facilmente poderem superar as dificuldades e naturais divergências ideológicas.

Se o conseguirmos, seremos dignos do reconhecimento de uma memória futura. É essa a minha ambição.

25 abril 2006

 

Obrigado Cesar !! Os jogos eram ricos e muito bonitos !!













Fotografias: Miguel Mosquito



23 abril 2006

 

Carpe diem !

Aproveite do dia e dos carpes !

 

Na vespera do 25 de Abril



Fotografias: Miguel Mosquito

 

Obrigado, mais uma vez, Senhores Vereadores


Disco na margem sul do Rio Sado

O concelho de Alcácer do Sal tem uma superfície de mais de 1.400 km2, o que é 40% de mais que a Grande Lisboa. Então, não é compreensível que a Câmara Municipal de AdS autoriza a organização de música ao vivo, tipo disco, até as 5.00 horas de manhã, em frente ao centro histórico de Alcácer, num sítio onde o barulho infernal desta música boum boum incomoda o maior número de residentes. É isso uma prova de modernidade ou de vida de cidade ? Não, o que aconteceu, mais uma vez, ontem a noite é simplesmente inumano e inaceitável. É a hora de organizar a resistência dos moradores!!
Não estou contra a música de disco, mas pode-se organizar em outros espaços mais longe do centro urbano. Alcácer não falta de terra...
Miguel Mosquito
Fotografias: Miguel Mosquito
O dia seguinte: a factura da limpeza fica com quem ?

22 abril 2006

 

À Descoberta dos Espargos bravos

A Primavera, oh que festa !!
A entrega dos espargos bravos chega a hora certa para os visitantes do fim de semana do 25 de Abril, à descoberta de Alcácer do Sal.

Manuel e Carlos em frente do Restaurante "A Descoberta"

 

A Saboga sai do anonimato.

O peixe não gosta ficar anónimo. Então fechamos o jogo hoje e dizemos o nome do peixe. Trata-se de uma saboga. Foi pescada no Rio Sado (pelo pescador, Sr. Joaquim Guerra).
A saboga é um dos peixes que sobem os rios na primavera para desovar (como fazem o sável, a lampreia, o salmão e outros). Este peixe é muito parecido com o sável. Como o sável, um pouco mais gostoso, é um peixe com muitas espinhas. Em Vila Franca da Xira e outros sítios do Ribatejo, os restaurantes locais festejam o mês do sável com menus especiais. Em Alcácer do Sal não há nenhuma iniciativa deste tipo (como não há iniciativa qualquer). Pois, muitas das nossas sabogas são vendidas nos restaurantes do Ribatejo como se tratava de sável local.
A melhor receita da saboga é um Açorda das Ovas de Saboga c/ Saboga frita à volta.
As mulheres pescadoras que vendem camarões no Largo de Camões em Alcácer do Sal sabem bem explicar a receita. Se não, pode-se também comer a Açorda de Saboga no Restaurante ‘A Descoberta’, no centro histórico de Alcácer ao frente do Rio Sado.
Miguel Mosquito

20 abril 2006

 

A fauna das caixas dos comentários

É sobre este título que o historiador José Pacheco Pereira analisa hoje no jornal Público (p. 5) o comportamento das pessoas – em sua esmagadora maioria anónimas ou com nick names – que deixam regularmente o seus comentários nos blogues portugueses.
Para não violar o direito do autor, vou citar só alguns passagens do artigo:
“ (Os autores anónimos) imaginem-se como uma espécie de proletariado da Rede, garantes da total liberdade de expressão, igualitários absolutos, que consideram que as suas opiniões representam o ‘povo’, os ‘que não tem voz’, os deserdados da opinião, oprimidos pelos conhecidos, pelos célebres, pelos ‘sempre os mesmos’. Mas não há só o reflexo do populismo e a sua visão invejosa e mesquinha da sociedade e do poder, há também uma procura de atenção, uma pulsão psicológica para existir que se revela na parasitação dos blogues alheios. ......
Não são bem ‘Trolls’, sabotadores intencionais, mas têm muitas das suas formas perturbadoras de comportamento. A sua chegada significa quase sempre uma profusão de comentários insultuosos e ofensivos que afastam da discussão todos os que ingenuamente pensam que a podem ter numa caixa de comentários aberta e sem moderação. Quando há um embrião de discussão, rapidamente morto pela chegada dos comentadores compulsivos, ela é quase sempre rudimentar, a preto e branco, fortemente personalizada e moralista: de um lado, os bons, os honestos, os dignos, do outro a ralé moral, os ladrões, os preguiçosos que vivem do trabalho alheio e dos impostos dos comentadores compulsivos, presume-se. O que lá se passa é o Faroeste da Rede: insultos, ataques pessoais, insinuações, injúrias, boatos, citações falsas e truncadas, denúncias, tudo constitui um caldo cultural que, em si, não é novo, porque assenta na tradição nacional de maledicência, tinha e têm assento nas mesas de café, mas que a Rede dá a impunidade do anonimato e uma dimensão e amplificação universal.
O que é que gera esta gente, em que mundo perverso, ácido, infeliz, ressentido, vivem? O mesmo que alimenta a enorme inveja social em que assentam as nossas sociedades desiguais (por todo lado existe este tipo de comentadores), agravada pela escassez particular da nossa. Essa escassez não é principalmente material, embora também seja o resultado de muitas expectativas frustradas da vida, mas é acima de tudo simbólica. Numa sociedade que produz uma pulsão para a mediatização de tudo, para a espectacularização da identidade, para os ’15 minutos da fama’ e depois deixa no anonimato e na sombra os proletários da fama e da influência, os génios incompreendidos, os justiceiros anónimos, o ‘povo’ das caixas de comentários, não é de admirar que esteja em plena luta de classes.”

19 abril 2006

 

O peixe que escapa da memoria



Como chama-se este peixe e onde foi capturado ? Como se prepara este peixe ?
As primeiras três pessoas que fornecem a resposta certa as três questões tem direito a uma refeição gratuita no Restaurante A Descoberta, situado em frente ao Rio Sado, no centro histórico de Alcácer do Sal.
Deixe a sua resposta no espaço “comentários” aqui abaixo.






Fotografia: Miguel Mosquito

 

A iguaria das túberas

Estamos na época das túberas, estas tubérculos que tem um aspecto de batata e que crescem na arreia, em simbiose com a azinheira e certas ervas. As túberas são uma verdadeira iguaria da gastronomia do campo, no Alentejo e em outras partes do Portugal. São da mesma família que as trufas, mas menos saborosos. Nos dois anos passados, não havia túberas na região de Alcácer por falta de chuva. Este ano há muitos.

O Joaquim Cardim, um jovem padeiro de Santa Catarina, sabe bem apanhar as túberas. Trabalha na padaria de seu patrão até as 04.00 horas de manhã. Depois de descansar, vai com seu moto no campo para passear e apanhar túberas. O contacto dele é o 93 821 50 85 (entre 12h30 e 19h00).


Algumas receitas de túberas:

Manuel Fialho, na «Cozinha Regional do Alentejo», dá despacho com as Túberas de «Fricassé».
1,5 Kg de túberas
2 cebolas
1 dente de alho
½ dl de azeite
50 gr de banha
1 folha de louro
1 ramo de salsa
sumo de 1 limão
6 gemas de ovos
sal

Fotografias: Miguel Mosquito
Escovam-se muito bem as túberas. Lavam-se e descascam-se, partindo-as às rodelas grossas. Num tacho deita-se o azeite e a banha, a cebola picada e o louro, deixando fritar um pouco. Juntam-se as túberas com sal, deixando-as cozer. Quando estiverem apuradas, retiram-se do lume. Juntam-se as gemas com o sumo de limão e a salsa, colocando-as no tacho das túberas. Leva-se ao lume para engrossar.
Túberas Fricassé à "Descoberta"

Manuel Camacho Lúcio na «Cozinha Regional do Baixo Alentejo» rabisca de singelo apenas Túberas.
Têm de ser extraordinariamente bem limpas da terriça.
O mais comum é comê-las fritas em banha, às rodelas ou inteiras, ou juntar à fritada uns ovos, como para os cogumelos.
Também é de uso fazê-las de molho de ovo ou fritas em banha apenas com rodelas de linguiça.
Aguentam bastante bem se depois de fritas as guardar numa púcara cobertas de banha.


 

Reunião da Câmara com ordem de trabalho pesada

Três dos 12 pontos na ordem de trabalho da próxima reunião da Câmara Municipal, Sexta- feira, dia 21 de Abril:

Educação:

0086/06 -
Aprovação da proposta sobre verticalização de Agrupamento Horizontal de Alcácer do Sal;

Departamento dos Obras Municipais e Serviços urbanos:

0092/06 - Aprovação da proposta sobre restituição do valor de 13,80 € ao Senhor Luís Reis Carvalho;

0094/06 - Aprovação da proposta sobre colocação de lombas redutoras de velocidade/sinalização vertical na Rua da Liberdade em Santa Susana.

Felizmente, o orçamento do Município foi aprovado depois só 50 minutos de discussão. Agora, os vereadores tem todo o tempo necessário para discutir das coisas mais sérias !



18 abril 2006

 

Páscoa no campo e no rio