06 janeiro 2006
Manuel Isaías, com as pernas na terra e legumes na cabeça
Como se sabe, o Manuel Isaías é um homem que tem as suas pernas na terra. A sua profissão de vendedor de peixe exige isso. Se trata de uma mercadoria frágil e de uma profissão, onde a margem entre ganhar dinheiro e perder dinheiro é pequena para quem não tem cuidado. Manuel foi talvez um dos primeiros comerciantes em Alcácer que tem compreendido que a concorrência dos supermercados em Alcácer do Sal vai obrigar o comercio tradicional a adaptar-se e a reposicionar o seu negócio. Em termos de preço, os grandes superfícies são imbatíveis, em termos de qualidade não são. Conclusão, o que é preciso é vender produtos de qualidade a preços acessíveis. O que, no caso do Manuel, foi também preciso, é não depender de só um tipo de produto. Então, o que fazer ?Desde que construiu a sua nova casa atrás da Igreja de Nosso Senhor dos Mártires, há 5 anos, o coração de Manuel começava bater cada vez mais para a cultura de vegetais.
Ele começava sonhar em cultivar a sua terra que mede mais ou menos seis
hectares.No primeiro lugar, preparou a terra para uma horticultura moderna, com um sistema de rega que necessita o menos possível de intervenção humana. Para produzir a bom preço legumes de qualidade, precisava de utilizar os métodos de produção adaptados. Não vale a pena imitar os produtos importados de Espanha que na maioria dos casos são produtos com pouco sabor porque são de cultura forçada com todos os truques da industria química. Para combater os parasitas, Manuel diz utilizar o menos possível de pesticidas químicos e para o crescimento das plantas utiliza exclusivamente uma espécie de estrume.
A
horticultura dele não é cem porcento biológica, mas tenta respeitar o máximo possível as regras da produção tradicional.Hoje em dia, cerca 35 – 40% do terreno estão cultivados e o dono não tem um minuto para parar. Ele faz tudo, com a ajuda ocasional dos filhos, eles que têm outras preferências na vida, mas ajudam, como o faz também a mulher “Didi” que trabalha essencialmente na loja. Braços não há demais, porque, como me explica o Manuel, a mão de obra não só é cara mas difícil de encontrar e muitas vezes pouca motivada.
Durante a nossa visita da horta, no dia 4 de
Janeiro, o Manuel estava apanhar as últimas couves-flor que vendeu essencialmente no período de natal. Ele nos mostra também os brócolos que estão a crescer, a couve lombarda e o repolho coração de boi.Aproveitando do sol de Janeiro, o alho francês começa a mostrar as suas folhas jovens fininhas, e nas cenouras podem-se ver só a primeira manifestação das plantas.
« Eu faço tudo », diz o dono da horta. A enumeração dos produtos inclui alem dos vegetais já mencionados, as cebolas, o agrião, a alface, a batata branca (entre outras a olho de perdiz) e a batata roxa,
os nabos, a couve portuguesa e a couve galega, as favas, a melancia, o melão e a meloa, os pimentos, a salsa e os coentros e, naturalmente, os morangos. O agrião é mesmo de cultura 100% biológica. Ele cresce numas « piscinas » feitas por Manuel com a água nascente que sai da terra.A salsa e os coentros começam a sua carreira num « túnel». Os espinafres e nabiças nascem também num túnel com rega artificial.
Onde se venda toda esta produção ?
Naturalmente nas duas lojas do Manuel Isaías na Rua Direita e nos Açougues. Já há anos, que as
peixarias tradicionais foram transformadas em lojas de alimentação mais diversificadas. Mas só uma pequena parte dos produtos transitam nas duas lojas. O génio do Manuel foi de pensar a abastecer clientes institucionais regulares no concelho. E ele tem hoje contratos com vários escolas, com o centro de dia da Santa Casa de Misericórdia, com o Centro infantil e outros instituições que alimentam cada dia centenas e centenas de pessoas. Existe também uma loja em Grândola que é cliente dele, mas nenhuma loja no Concelho de Alcácer.Esperamos que o coração do Manuel resista bem e que seu negócio vá florescendo.
E mais uma pequena observação : Se o Mercado de Alcácer seguisse o exemplo da loja de Manuel Isaías e apostasse em produtos locais de qualidade em vez de imitar as grandes superfícies e vender produtos importados de menos qualidade mas com preços mais altos, o futuro do Mercado Municipal seria talvez menos preocupante.Miguel Mosquito



Comments:
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O Srº Empresário Manuel Isaías merece só louvores. Quem não se lembra de quando ele era jovem? não davam nada por ele, pois é!!!
a vida tira-nos... mas dá-nos tanto quando acreditamos e queremos.
Lições de vida Manel, que estás a dar a muita boa gentinha...
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a vida tira-nos... mas dá-nos tanto quando acreditamos e queremos.
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