06 janeiro 2006
Gente de cá: Dona Aciolinda Costa, varredora da EMSUA

Fomos habituados ver o “Chalé suiço“ que foi construído na margem sul do Rio Sado, há mais de dois anos,, como símbolo das obras inúteis da antiga Câmara Municipal, pois o Chalé nunca entrou em funcionamento e ficava sempre fechado (ver o meu “post” do dia ….. de Setembro). Mas agora o WC público já esta a funcionar, há mais ou menos três meses, e a pessoa responsável para a limpeza do local é Aciolinda Costa, uma empregada da EMSUA que trabalha nesta empresa municipal como varredora. Ela vem cá todos dias na hora do pôr do sol para fechar o WC e para fazer o que é necessário para assegurar a manutenção. Aciolinda me explica que no início chegava cá mais tarde, quando todo já estava escuro. Mas, á noite, o lugar não é tão seguro porque está frequentado por alguns pessoas marginais, alguns com problemas de droga. Por isso, perguntou aos chefes se mudar o horário e fechar as WCs mais cedo.
Para a Aciolinda, que está casada e que tem filhos, morando no bairro da Quintinha, a limpeza e manutenção do WC é um trabalho suplementar que a permite de ganhar mais alguns euros, em cima de seu ordenado normal modesto.
Aciolinda cresceu em Vale de Guizo e trabalhava aí no campo no outro lado do rio.. Ela me diz que se lembra muito bem da Reforma Agrária e dos muitos estudantes estrangeiros, alemães e holandeses que trabalhavam lá depois da Revolução dos Cravos. Me conta que, um dia, eles faziam um filme sobre a vida na cooperativa e uma grande parte do filme foi tornado na casa dela, com ela no papel mais ou menos principal. Quando ela conta esta história, os olhos de Aciolinda se ascendem de uma luz que transmite toda a importância que esta lembrança tem para a jovem e bela mulher que estava nesta época.
Miguel Mosquito

