13 janeiro 2006
Até muito breve ....
Estou fora de Alcácer. Por esta razão, há pouco de notícias no blog "Sal d´Alcácer". Voltou já com novas ideias e novas imagens deste Portugal "único" !!
Até muito breve.....
Miguel Mosquito
Até muito breve.....
Miguel Mosquito
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O síndrome José Cid
(Sugestão de destaque: “De repente gelou. No ecrã, um Cavaco Silva magro, moreno, seco, com um nó de gravata minúsculo e saliva nos cantos da boca falava a uma Assembleia da República cheia com homens de patilhas e fatos de mau corte. Rebobinou a cassete e tornou a ouvir Cavaco. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez.”.)
E, um dia, acordou a cantarolar uma canção de José Cid, esse grande português ainda vivo. A princípio nem deu por ela, mas quando estava a fazer a barba brotou-lhe nos lábios, vindo não sei de onde, o refrão “Ontem eras a menina mais alegre e mais bonita que eu já conheci”…Calou-se de repente e com o susto até fez um pequeno corte na bochecha. Olhou em volta para confirmar que ninguém o tinha ouvido. A casa de banho estava vazia, branca, asséptica, muda, com cheiro a pinho e lavanda. Ainda com a cara ensaboada percorreu o resto da casa, para confirmar que estava sozinho. As crianças tinham saído para o colégio, a mulher para o emprego, a empregada (sem saber porquê apeteceu-lhe dizer “a criada”, como no tempo dos seus pais, em que se ia a uma aldeia perdida na serra buscar uma criada que dormia no quartinho dos fundos) tinha sido dispensada quando a Ministra das Finanças anunciou que não haveria outra vez aumentos na Função Pública. Estava sozinho. Sem testemunhas.
Voltou para a casa de banho e recomeçou a cantar José Cid, desta vez mais alto. Gostou da acústica da casa de banho forrada a azulejos brancos e azuis e experimentou mudar de tema. “A rosa que te dei/ não foi criada num jardim/ por isso tinha mais/ significado para mim”. Há mais de 20 anos que não ouvia este tema, desde os tempos do liceu, mas as palavras saíam-lhe naturalmente, sem esforço. Na hora do duche já cantava a plenos pulmões, desfiando o repertório do antigo líder do Quarteto 1111.
Já estava a a jeitar o nó de gravata quando sentiu um impulso incontrolável de mudar de roupa. Abriu a última gaveta da cómoda, aquela onde eram guardadas as roupas que a moda tinha posto fora de moda, e depois de muito remexer sacou das profundezas um fato de treino verde alface com listas lilás nas mangas e um uma espécie de losango azul no peito. Vestiu-o, indiferente ao cheiro a naftalina, ajeitou a cintura de elástico à volta da barriga bojuda, mirou-se ao espelho e gostou do que viu. Ainda a cantarolar “Romântico mas não trôpego” pegou no telefone e ligou para o emprego a dizer que estava com febre, que lhe doía a garganta e a cabeça “e coisa e tal”. A chefe foi compreensiva, falou-lhe num vírus que andava a deitar pessoas abaixo e recomendou-lhe descanso e canja de galinha. Sorriu, encantado, Um dia pela frente sem nada para fazer.Ligou o computador e foi à Internet ver o PÚBLICO. Tentou ler, como sempre fazia, a coluna de Eduardo Prado Coelho, mas desta vez não percebeu nada, ao contrário do habitual. “Hermenêutica”, “afectos”, semiótica”, “orgasmo vertical”, “Manuel Maria Carrilho”…As palavras ensarilhavam-se, rodopiavam, confundiam-no. Sentiu o impulso de ler algo mais básico e clicou na coluna de Luís Delgado, no DN. Agora sim, tudo encaixava. Desligou o computador, ligou a televisão. Manuel Goucha guinchava de mão na anca; mudou para a SIC e apanhou a Fátima Lopes a falar com um boneco sentado nos joelhos de um ventríloquo. Já não teve coragem de espreitar a RTP, e sentiu, sem saber porquê, a necessidade imperiosa de evitar a Dois:. Passou a correr pelos canais de cabo. Cinquenta canais e nada para ver. Ainda parou no Televendas, por causa de uma miúda num fato minúsculo de lycra que se exercitava numa máquina com aspecto complicado, mas desistiu. De repente veio-lhe uma ideia. Foi à garagem, remexeu numa caixa de papelão e regressou triunfante com uma cassete de vídeo. Enfiou-a no aparelho, foi à cozinha buscar uma cerveja e um frasco de pickles e sentou-se a rever a final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, aquela em que o FC Porto derrotou o Bayern de Munique por 2-1. Deliciou-se com os comentários do Ribeiro Cristóvão e de Miguel Prates, vibrou com o calcanhar de Madjer, o golo de Juary, chorou quando João Pinto deu a volta ao Prater agarrado à taça. Ainda estava a fungar quando começou o Telejornal daquele dia 27 Maio de 1987. Olha o Carlos Cruz, tão magrinho e tão solto, a Manuela Moura Guedes tão discreta, o Carlos Fino em Moscovo. De repente gelou. No ecrã, um Cavaco Silva magro, moreno, seco, com um nó de gravata minúsculo e saliva nos cantos da boca falava a uma Assembleia da República cheia com homens de patilhas e fatos de mau corte. Rebobinou a cassete e tornou a ouvir Cavaco. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. O cheiro a naftalina do fato de treino estoirou-lhe no cérebro e sentiu-se agoniado. Olhou em volta, desperado, apanhou o saco de plástico do Expresso e vomitou lá para dentro os pickles e a cerveja.
(Sugestão de destaque: “De repente gelou. No ecrã, um Cavaco Silva magro, moreno, seco, com um nó de gravata minúsculo e saliva nos cantos da boca falava a uma Assembleia da República cheia com homens de patilhas e fatos de mau corte. Rebobinou a cassete e tornou a ouvir Cavaco. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez.”.)
E, um dia, acordou a cantarolar uma canção de José Cid, esse grande português ainda vivo. A princípio nem deu por ela, mas quando estava a fazer a barba brotou-lhe nos lábios, vindo não sei de onde, o refrão “Ontem eras a menina mais alegre e mais bonita que eu já conheci”…Calou-se de repente e com o susto até fez um pequeno corte na bochecha. Olhou em volta para confirmar que ninguém o tinha ouvido. A casa de banho estava vazia, branca, asséptica, muda, com cheiro a pinho e lavanda. Ainda com a cara ensaboada percorreu o resto da casa, para confirmar que estava sozinho. As crianças tinham saído para o colégio, a mulher para o emprego, a empregada (sem saber porquê apeteceu-lhe dizer “a criada”, como no tempo dos seus pais, em que se ia a uma aldeia perdida na serra buscar uma criada que dormia no quartinho dos fundos) tinha sido dispensada quando a Ministra das Finanças anunciou que não haveria outra vez aumentos na Função Pública. Estava sozinho. Sem testemunhas.
Voltou para a casa de banho e recomeçou a cantar José Cid, desta vez mais alto. Gostou da acústica da casa de banho forrada a azulejos brancos e azuis e experimentou mudar de tema. “A rosa que te dei/ não foi criada num jardim/ por isso tinha mais/ significado para mim”. Há mais de 20 anos que não ouvia este tema, desde os tempos do liceu, mas as palavras saíam-lhe naturalmente, sem esforço. Na hora do duche já cantava a plenos pulmões, desfiando o repertório do antigo líder do Quarteto 1111.
Já estava a a jeitar o nó de gravata quando sentiu um impulso incontrolável de mudar de roupa. Abriu a última gaveta da cómoda, aquela onde eram guardadas as roupas que a moda tinha posto fora de moda, e depois de muito remexer sacou das profundezas um fato de treino verde alface com listas lilás nas mangas e um uma espécie de losango azul no peito. Vestiu-o, indiferente ao cheiro a naftalina, ajeitou a cintura de elástico à volta da barriga bojuda, mirou-se ao espelho e gostou do que viu. Ainda a cantarolar “Romântico mas não trôpego” pegou no telefone e ligou para o emprego a dizer que estava com febre, que lhe doía a garganta e a cabeça “e coisa e tal”. A chefe foi compreensiva, falou-lhe num vírus que andava a deitar pessoas abaixo e recomendou-lhe descanso e canja de galinha. Sorriu, encantado, Um dia pela frente sem nada para fazer.Ligou o computador e foi à Internet ver o PÚBLICO. Tentou ler, como sempre fazia, a coluna de Eduardo Prado Coelho, mas desta vez não percebeu nada, ao contrário do habitual. “Hermenêutica”, “afectos”, semiótica”, “orgasmo vertical”, “Manuel Maria Carrilho”…As palavras ensarilhavam-se, rodopiavam, confundiam-no. Sentiu o impulso de ler algo mais básico e clicou na coluna de Luís Delgado, no DN. Agora sim, tudo encaixava. Desligou o computador, ligou a televisão. Manuel Goucha guinchava de mão na anca; mudou para a SIC e apanhou a Fátima Lopes a falar com um boneco sentado nos joelhos de um ventríloquo. Já não teve coragem de espreitar a RTP, e sentiu, sem saber porquê, a necessidade imperiosa de evitar a Dois:. Passou a correr pelos canais de cabo. Cinquenta canais e nada para ver. Ainda parou no Televendas, por causa de uma miúda num fato minúsculo de lycra que se exercitava numa máquina com aspecto complicado, mas desistiu. De repente veio-lhe uma ideia. Foi à garagem, remexeu numa caixa de papelão e regressou triunfante com uma cassete de vídeo. Enfiou-a no aparelho, foi à cozinha buscar uma cerveja e um frasco de pickles e sentou-se a rever a final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, aquela em que o FC Porto derrotou o Bayern de Munique por 2-1. Deliciou-se com os comentários do Ribeiro Cristóvão e de Miguel Prates, vibrou com o calcanhar de Madjer, o golo de Juary, chorou quando João Pinto deu a volta ao Prater agarrado à taça. Ainda estava a fungar quando começou o Telejornal daquele dia 27 Maio de 1987. Olha o Carlos Cruz, tão magrinho e tão solto, a Manuela Moura Guedes tão discreta, o Carlos Fino em Moscovo. De repente gelou. No ecrã, um Cavaco Silva magro, moreno, seco, com um nó de gravata minúsculo e saliva nos cantos da boca falava a uma Assembleia da República cheia com homens de patilhas e fatos de mau corte. Rebobinou a cassete e tornou a ouvir Cavaco. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. Outra vez. O cheiro a naftalina do fato de treino estoirou-lhe no cérebro e sentiu-se agoniado. Olhou em volta, desperado, apanhou o saco de plástico do Expresso e vomitou lá para dentro os pickles e a cerveja.
Os sabedores podiam também escarrapachar no 605 forte, quanto ganhava ou ganha o leca e meia e a sua lady que anda com vários sacos na mão e toda aquela panóplia...
O voto do Purora ou do Piriu nas urnas tem o mesmo valor que o dos gerentes de instituições bancárias ou de advogados cavaleiros...
O voto do Purora ou do Piriu nas urnas tem o mesmo valor que o dos gerentes de instituições bancárias ou de advogados cavaleiros...
Há peças tão antiquadas que estão cheias de pó e teias de aranha e só servem para leiloar e depois ninguém dá nada por elas, nem devem valer 4 mil reis ou vinte cinco chões...
Ora vamos lá a contas tantos mil euros daqui mais tanto mil euros dali mais tantos mil euro daqulá isto tudo somado dá tantos milhões de euros que eu mamei aos pacoviós de Alcácer agora foi-se porque perdi o tacho...
Janito a bolsa onde se pôe o selo do carro que te está atribuido é do dono das tintas, substitui-a por uma da Câmara ou se não tiverem eu ofereço-te uma mt gira é cor-de-rosa e diz "BIS".
Estou triste Alcácer as gentes de Alcácer não merecem isto, isto nunca tinha sido visto, aqui nasci aqui vivi nunca vi tamanha calúnia pessoal, a todos aqueles que querem uma Alcácer grande peço-vos não respondam a provocações aquela gente não ama Alcácer deixem-nos a falar sózinho eles fartar-se-ão......
Miguel tens que os deixar passar todos os que gostas e os que não gostas, o da Lady, o da que vê pássaros, o do café do sº Pedro, o das tintas, o das novas pastilhas,o da pseudo, senão deixo-te a falar sózinho...
destes 8 comentários 6 são meus
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Senhor ou Senhora Anonymous, mais vale um ou dois comentários mais ou menos inteligentes que uma dezena de comentários estúpidos. Para os amadores dos segundos, há sempre a TVI e outras estações de televisão.
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