31 janeiro 2006

 

Sem título

Alemanha 1933 -1945

Luanda, Janeiro 2006

Pela cortesia de Luís Carlos Nunes



30 janeiro 2006

 

Caro Amigo Amadeus,



Papageno e Papagena na Ópera "Flauta Mágica" de W.A. Mozart

Festival de Salzburgo

Todo bem contigo ? Estas comemorações de todo lado de teu aniversário devem ser bastante cansativas. E pois, não há sempre bom gosto em algumas manifestações. Por exemplo, eu tenho vergonha por ter falado de um CD que foi publicado pela revista portuguesa Visão, com extratos das melodias mais famosas da tua obra. Quando ouví finalmente o CD gratuito, dei-me conta que foi tão mal feito ! Uma compilação de (más) gravações, sem alma nenhuma. A comercialização da tua obra conduz a fazer caldeiradas das tuas melodias mais populares. É um desgosto !

Na minha carta anterior, esqueci-me de contar-te que na nossa Câmara Municipal em Alcácer do Sal trabalha uma mulher que se parece imenso com a Papagena da tua «Flauta Mágica». Como se fosse tambêm uma passarinheira, usa vestidos muito berrantes, os cabelos pintados e muita maquilhagem. Usa também um perfume tão forte e tão exótico que se fica pregado à entrada da Câmara, sem conseguir passar no interior. É muito engraçado e simultaneamente muito eficaz, pois anteriormente, entrava-se e saía-se à vontade . – Vou mostrar-te a Papagena, quando vieres visitar-nos a Alcácer, amigo Amadeus. Mas tens que me prometer que não a raptarás para a Ópera de Salzburgo.
Um grande abraço
Miguel Mosquito


28 janeiro 2006

 

A Primavera é alentejana




A crise pode ser de todo lado, mas a primavera é definitivamente alentejana.
Mesmo no mês de Janeiro. O que falta são os clientes.
Fotografias de Miguel Mosquito; Alcácer do Sal, dia 28 de Janeiro 2006

 

O Painel de Azuleijos no Largo do Chafariz

A publicação deste painel de azuleios do século XVI foi pedida por um leitor do blog "Sal d'Alcacer". A coisa está feita. Esperamos os seus comentários. Com cumprimentos,
Miguel Mosquito

27 janeiro 2006

 

Comemorações do aniversário de Mozart


Para celebrar o 250.º aniversário de Wolfgang Amadeus Mozart, um dos compositores os mais geniais de todos os tempos, a revista Visão publica esta semana um CD com as melodias mais famosas de Mozart. A edição online da revista anuncia os concertos e conferências que estão programados em Portugal para a comemoração do aniversário.Ver:
http:visaoonline.clix.pt

Ver também aqui mais por baixo as duas cartas do Miguel Mosquito ao Amigo Amadeus.

 

Reunião da Câmara Municipal

A reunião de ontem da Câmara Municipal foi breve e decorreu sem confrontações. Uma ordem de trabalho muito técnico. Nada para quem gosta de sensações fortes. A decisão que mais me impressionou foi uma comunicação do Presidente da Câmara que diz que vai delegar algumas das competências que ele próprio tem em matéria de urbanização e habitação ao respectivo chefe de Divisão, o Arq. Nunes. (Comentário : Temos afinal um chefe que sabe responsabilizar os seus colaboradores, em vez de concentrar tudo nas suas mãos e atrasar as decisões que não tem tempo de tomar ou assinar textos que não tem tempo de ler).
O Presidente Paredes explicou que a nova publicação da Câmara que se chama « Folha de Alcácer » e que vai ser publicada de quinze em quinze dias, se distinguirá das publicações anteriores da Câmara em relação ao seu conteúdo e a sua apresentação mais simples. A primeira edição desta publicações saiu, há pouco. O Presidente Paredes convidou todos os sete vereadores (inclusivamente os vereadores da oposição) de colaborar nesta publicação. Ela estará também aberta a contribuições do público.
Entre outras decisões foi aprovado o regulamento do concurso da apresentação gráfica do cartaz para a comemoração do 25 do Abril, e o Presidente da Câmara anunciou que todas as « forças vivas » de Alcácer serão consultadas numa data próxima para preparar as festividades do 25 de Abril e do 1.° de Maio.
No fim da reunião, no espaço de tempo disponível para intervenções do público, o autor deste blog interrogava a Câmara sobre as suas intenções em relação ás infracções ambientais que consiste em verter regularmente, mês a mês e ano a ano, o xixi dos porcos criados em alguns herdades e montes, no Rio Sado (ver notícia de ontem). O Presidente Paredes respondeu que a Câmara vai reorganizar o serviço ambiental do Município e depois exigir, « na medida do possível » aos criadores de porcos o respeito das regras ambientais.
O autor deste blog perguntava também à Câmara sobre a futura exploração dos barcos « Amendoeira » e « Pinto Luísa » (ver outra notícia de ontem). O Presidente confirmou o acordo que a Câmara tem com a « Associação Rotas do Sal ». Este acordo prevê a exploração rotativa das duas embarcações pela Câmara e por esta entidade. Soube à margem da reunião que não se trata de uma Associação mas de uma empresa comercial de pessoas de Setúbal, chefiada pelo antigo director da « Reserva do Estuário do Sado », Sr. Celso Santos. Esta empresa explora também outras embarcações no estuário do Sado e na costa de Sesimbra e tem a sua sede em Alcácer do Sal. Ela será responsável pela manutenção das duas embarcações.
Miguel Mosquito

 

5.° Salão de Pesca em Grândola, esta fim de semana


O 5.° Salão de Pesca abre as portas, esta Sexta Feira, em Grândola, com granda participação internacional. Se trata de uma feira a volta da pesca desportiva de Água doce, de Mar, Alto Mar e Submarine.
O Salão proporciona também un conjunto de actividades desportivas das quais se destacam o concurso de Água doce destinado aos mais jovens, e dois concursos – Água doce e Mar, nas categorias de Juniores U21, Juniores U16, Seniores, Senhoras e Lançamentos.
Serão formalmente apresentados os « Mundiais da Pesca Desportiva que vão decorrer em Portugal de ç a 18 de Stembro e algumas eprovas deste Campeonato vão ter lugar no Concelho de Grândola.
Nesta 5.° edição do Salão de Pesca, destaque ainda para a Acção de Sensibilização sobre a conduta dos Pescadores Desportivos na defesa do meio ambiente, com várias acções.

 

Salzburgo e sua irmãzinha Alcácer do Sal

Caro Amigo Amadeus,
Espero que passes um bom aniversário com bons amigos. Tocam a tua música de todo lado e em todos canais. E isto vai continuar durante todo o ano! Estou à esperar francamente que, quando chegamos ao fim do ano, não seremos fartos de ouvir repetir-se e repetir-se mais uma vez a “Kleine Nachtmusik” (a Pequena Música de Noite”) e outros hits da tua obra de mais 650 composições. Mas isto é um outro problema.

Prometeu contar-te o que Salzburgo, a tua cidade natal, e Alcácer do Sal, a sua irmãzinha português, tem em comun na sua história.

O território da nossa cidade, tal como o de Salzburgo, já era habitado há milhares de anos, muito antes da Idade do Bronze. As nossas duas cidades são atravessadas por um rio, mas o nosso Sado desagua directamente no mar e vosso Salzach no Rio Inn que junta-se com a Donau que desagua no Mar Preto na Romania.

Nos dois territórios, os Celtas, que chegaram muito antes dos Romanos e, atrevidos como eram, começaram a explorar o sal. Na nossa terra foi o sal marinho (o melhor do mundo !) que deu o nome à cidade. No que respeita à vossa terra, foi o sal mineral das montanhas. Os Romanos fundaram a nossa cidade, dando-lhe o nome de Salatia Urbs Imperatora, pois era uma cidade muito importante, com direito a cunhar moeda. A cidade que os Romanos fundaram em terras de Salzburgo chamava-se Juvavum. Era muito próspera. Tinha até habitações com aquecimento instalado no chão. É algo que nós ainda hoje não temos e que faz falta no Inverno.

A vossa fortificação de Salzburgo deve ter sido edificado mais ou menos na mesma época romana que a nossa. O nosso castelo é do tempo dos Árabes que ocuparam todo o território Sul e Centro de Portugal. Quando o primeiro rei, D. Afonso Henriques, os venceu definitivamente, no século XII, apenas alguns partiram, os outros já se tinham misturado com a população local e é por isso que as pessoas de Alcácer e do Alentejo são uma enorme mistura de todos os povos que por aqui passaram.

Vocês tiveram os Bávaros nas vossas terras. Deve ter sido uma Festa da Cerveja permanente! O vosso castelo foi ocupado pelos arcebispos, que reinaram durante séculos e séculos na cidade e na Província de Salzburgo. Na nossa terra, foram os Templários que aí tinham a sua sede principal. E quando os templários partiram, construiu-se um mosteiro que se manteve até cair em ruínas. Actualmente, é uma pousada, muito bonita e muito chique.

É verdade, fomos uma cidade portuária muito importante durante séculos, com as nossas salinas, os nossos estaleiros navais onde se construíam caravelas e outros navios, e com o nosso comércio com o Alentejo. Ninguém podia circular de Norte para Sul nem vice-versa sem passar por nós. Isto não durou para sempre, e actualmente somos uma cidadezinha de cerca de 6.500 habitantes, enquanto que Salzburgo continuou a crescer e tornou-se muito importante, com dois festivais de Música, o Festival de Ópera e os seus inúmeros concertos e representações teatrais.
Como já disse na minha primeira carta, vamos tentar o nosso melhor para a música e as artes contribuiem no desenvolvimento da nossa cidade e de nosso Concelho.

Esperamos a tua visita, Amigo Amadeus. Até breve

Miguel Mosquito

26 janeiro 2006

 

Feliz aniversário, Mozart

Caro Amigo Amadeus,
Esta Sexta-Feira faz 250 anos que nasceste em Salzburgo, na Áustria. É difícil de acreditar, pois não só te manténs vivo como também jovem e divertido como sempre. As tuas melodias são mais populares que as dos Beatles ou dos Rolling Stones. Vives dentro de cada um de nós e, sem ti, o mundo seria um lugar muito menos alegre. Amadeus Superstar! Obrigado pelas tuas sonatas, pela tua música de câmara, obrigado pelos teus motetes, as tuas missas, as tuas sinfonias e, sobretudo, pelas tuas óperas que são as mais geniais de todas as óperas do mundo.

Sabes que Salzburgo, a tua cidade natal na Áustria, tem uma irmãzinha em Portugal? Chama-se Alcácer do Sal, o que significa Salz-Burg, «Castelo do Sal» em Português. Isto merece que se te faça uma homenagem especial pelo teu aniversário.

As pessoas da nossa terra também amam muito a música e temos duas filarmónicas na nossa cidade, ambas com mais de cem anos de existência. É verdade, isto não se pode comparar ao «Mozarteum» de Salzburgo, mas já é alguma coisa e é muito importante para nós.

Graças a ti, Mozart, Salzburgo atrai todos os anos dezenas de milhar de amadores de música, de arte e de espectáculos, e centenas de milhar de turistas! Dois Festivais de Música, um Festival de Opera e concertos durante todo o ano. Isto é um sonho.

Tentámos uma vez, há dois anos, organizar um pequeno festival de música com o nosso compositor português, Rui Coelho, que nasceu em Alcácer do Sal. Mas poucos são aqueles que actualmente conhecem o Coelho, e foi apenas um sucesso muito modesto.

Mozart, prometo-te que vamos tentar fazer melhor da próxima vez. Vamos fazer os possíveis para que a música e a arte se tornem num motor do desenvolvimento da nossa cidadezinha e do nosso Concelho. Se os habitantes de Salzburgo pudessem inspirar-nos no nosso objectivo, isso seria muito bem vindo.

Salzburgo e a sua irmãzinha, Alcácer do Sal, têm tantos pontos comuns. Deveríamos começar por uma visita para ficarmos a conhecermo-nos melhor. Vem ver-nos, com alguns amigos de Salzburgo. Come-se muito bem na nossa terra. Não temos as «Apfelstrudel», mas pinhões, com os quais se faz toda a espécie de bolos deliciosos e pratos excelentes. Não tragas «Mozartkugel» (aquelas bolinhas de chocolate com a tua imagem), pois estas podem comprar-se em Portugal, nas estações de serviço na auto-estrada.

Esperando ver-te brevemente, envio-te um grande abraço e mais uma vez, feliz aniversário,
Miguel Mosquito

P.S. Amanhã, vou contar-te a história paralela de Alcácer do Sal e de Salzburgo. Vais ver que temos coisas em comun que pouca gente conhece.

25 janeiro 2006

 

O Galeão do Sal "Amendoeira" segue para recuperação

A Câmara Municipal comunica que o Galeão do Sal "Amendoeira" zarpou ontem de Setúbal em direcção ao estaleiro Estanaval, em Sesimbra, onde será completamente restaurado. Construída em 1925, esta embarcação tradicional tem 18,84 metros de comprimento e lotação de 45 pessoas, tendo afundado junto à praia "dos Fuzileiros", em Tróia, em meados do ano passado. De acordo com João Faria, vereador da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, proprietária do barco, "devido ao mau estado que apresentava e ao desleixo a que foi votado".
O "Amendoeira" esteve depois nas instalações da Sadonaval, em Setúbal, onde não lhe foi feita qualquer intervenção relevante e, só agora, depois de um processo burocrático demorado, foi possível encaminhá-lo para a recuperação, que custará cerca de 54.250 euros. "Finalmente mais este pedaço da nossa história será preservado e, com ele, parte da alma de Alcácer ligada a algo tão importante como o Sado", referiu João Faria.
A operação de resgate e transporte da embarcação decorreu ao abrigo de um protocolo que une a autarquia à Associação Rotas do Sal, segundo o qual as duas entidades partilharão responsabilidades na manutenção do "Amendoeira" e do "Pinto Luísa", " outro galeão de sal propriedade do município e que brevemente será beneficiado com um motor novo" mas também partilharão o seu usufruto, especialmente virado para a promoção turística de Alcácer e das belezas naturais e históricas associadas ao rio.
O "Amendoeira" foi construído em Setúbal, na praia da Saúde, por Artur Santos, tendo primeiro pertencido à firma "Manuel Francisco Afonso Herdeiros Lda.", operando como embarcação de tráfego local. Até 2004, altura em que foi adquirido pela câmara de Alcácer, teve ainda mais dois detentores.



Comentário de Miguel Mosquito:
A história recente do "Amendoeira" e do Pinto Luísa só pode ser qualificada de escândalo. Por lembrança: antes de a Câmara municipal ter adquirido o Amendoeira, há alguns anos, o proprietário deste Galeão do Sal foi um senhor belga que morava na Holanda e por isso foi chamado "o holandês". Havia um acordo entre este Senhor e a Câmara Municipal de deixar a Câmara explorar a embarcação. Em contrapartida, a Câmara prometeu assegurar a manutenção do Amendoeira. O resultado deste acordo é conhecido: A Câmara fazia pouco ou nada para manter o barco de madeira num bom estado. Não disponibizou as verbas para a manutenção nem para uma pintura por ano. Amarrado no cais fluvial de Alcácer, o Amendoeira dava um espectáculo deploravel.
Quando eu ouvei que o Venâncio Bicha, antigo proprietário do Pinto Luísa, estava a vender o seu barco à Câmara Municipal, a minha coração chorava, porque sabia que a sorte do Pinto Luisa não seria diferente da sorte do Amendoeira. Como "bom pai de família", o Venâncio fez sempre tudo para manter o seu Galeão em boas condições. Não faltava pintura e o barco passava regularmente num estaleiro para um serviço de manutenção mais completo. O Pinto Luisa foi o orgulho do Rio Sado, ao contrário do Amendoeira que fazia figura de um pato caido no petroleo. Passavam menos de dois anos e o Pinto Luisa tenia igualmente um aspecto abandonado. Falta de pintura, avaria do motor, etc.

Os antigos responsaveis da Câmara deveriam ser responsabilizados por este carência. Agora, a reparação do Amendoeira custa mais de 54.000 euros. E quem sabe ? A obra de reparação pode revelar surpresas. O Pinto Luisa precisou de um novo motor. Estes motores de barco de mais de 115 cavalos custam também uma fortuna. Todo isto é muito dinheiro para o pequeno concelho de Alcácer com 14.500 habitantes e um nivel de vida que está à volta de 60% do nivel nacional.

Mas temos mais uma surpresa. No futuro, a autarquia partilhará a responsabilidade da manutenção com a Associação "Rotas do Sal". Não conheçou esta associação, mas conheçou uma experiência. Quando duas entidades se partilham a responsabilidade de uma coisa, cada uma não assume 50% da responsabilidade, mas só 5%. O resto ......
Boa sorte Amendoeira, boa sorte Pinto Luisa.
(A seguir)
Miguel Mosquito

24 janeiro 2006

 

Os criadores de porco sem vergomha

Na 4ª-feira da semana passada, o mau cheiro foi mais uma vez omnipresente.Passava eu no Largo Luis de Camões e preguntei a dois passantes, fazendo de conta que eu não sabia nada: "O que é este mau cheiro?" - "É o xixi dos porcos, a criação de porcos", responderam os dois homens, sem dizer mais nada. Claro que eu sabia.
Neste dia, os malandros nem esperaram o início da noite. Foi ás 8.30 horas da tarde.
Como é possivel que mês a mês, e ano a ano, os criadores de porcos cometem a mesma infracção gravissima contra o ambiente, vertendo o xixi das centenas ou milhares de porcos para o rio, sem intervenção nenhuma das autoridades públicas ? - Realmente, o mau cheiro é omnipresente, no senso real como no senso figurativo.


Para quando os peixes, os pescadores, as crianças e os turístas podem dispor de um Rio Sado limpo ?

Miguel Mosquito


 

O "Homen do Leme"

Fonte: Jornal Público

23 janeiro 2006

 

Os Comerciantes no ímpasse

Prometeu falar mais uma vez sobre a ultima reunião dos comerciantes, da 4ª-feira da semana passada. Foi uma reuniao sem resultado aparente, mas foi talvez uma reunião necessária para evacuar todas as frustraões em frente do Senhor Borges, Presidente da Associacião dos Comerciantes do Distrito de Setúbal. Ele foi assado na grelha das críticas por ter permitido que a Delegação de Alcácer dos Comerciantes esteja parada, já há anos. O conflito que surgiu nas ultimas eleições da Associação dos Comerciantes é só um aspecto destas frustrações, mas sem dúvida o factor mais importante.

O presidente Borges explicou que foi impossivel destituir o Presidente actual, Sr. Madeira, tanto a questão da legitimidade da sua eleição está suspendido no tribunal. De todo maneira, vai ter novas eleições em Março ou em Abril e, segundo o Presidente Borges, é impénsavel que o Sr. Madeira vai ser mais uma vez candidato. De todo maneira, ele não é comerciante depois ter trespassado a sua loja já há meses.

Muitos comerciantes não acreditam que vão ter eleições transparentes e não trucados. Mas, em ausência de qualquer alternativa, os comerciantes estão à espera destas eleições. A paralisia da Associação não pode perdurar mais.

Na minha opinhão, os candidatos da próxima eleição não devem ser de um campo ou um outro. A politização da Associação é totalmente contraproductiva. Esperamos candidatos que só se preocupem do futuro do comércio em Alcácer e que não utilizam a Associação para interesses particulares. Uma utopia ?
Miguel Mosquito

 

Os votos comunistas em Alcácer

Em geral, os votos nos eleições presidenciais estão bastante influenciados pelas personalidades dos candidatos e não refletem perfeitamente as preferências partidarias dos votantes. Mas acho que no caso de Alcácer do Sal, os votos em favor do Jerónimo de Sousa correspondem mais ou menos à força do partido comunista no eleitorado do Concelho. A prova é que, onde o partido comunista é mais forte, as abstenções são as mais fracas, o que significa uma grande mobilização do eleitorado.

O candidato comunista ganhava as seguintes percentagens nas differentes freguesias:

Santiago: 21,6%
Santa Maria do Castelo 28,0 %
Torrão 26,3 %
Comporta 35,8 %
Santa Susana 43,5 %
São Martinho 64,5 %

Concelho de Alcácer do Sal: 29,0 %

As aldeias de Rio Moinho e de Barrancão se destaquem com o voto mais alto no candidato do PC: respetivemente 79.5 e 78,1%. A taxa de abstenção nestas duas aldeias foi respetivamente 19,4 e 13,7% (Concelho de Alcácer: 37,6 %).

 

A tendência socialista se confirma em Alcácer do Sal

Nas eleições presidenciais de ontem, Anibal Cavaco Silva ganhou, na primeira volta, a maioria absoluta com 50,6 % dos votos. Manuel Alegre chegava em 2º lugar com um pouco mais de 20% dos votos, ultrapassando Mário Soares com cerca 14,5% dos votos.

Em Alcácer do Sal, dos 12.179 inscritos, votaram 7.604, o que significa uma taxa de abstenção de 37,56 %. 60 pessoas votaram branco e 58 nulo, o que deixa 7.486 votos válidos.

O candidato mais votado foi Jerônimo de Sousa com 2.176 votos (29,0 %), seguido de Manuel Alegre com 2.082 votos (27,8%) e Mário Soares com 1.276 votos (16,2%).O que significa que a "tendência socialista" ganhava 44% dos votos, mais ou menos o mesmo percentagem que nas últimas eleições autárquicas (46%). O Cavaco Silva ganhou 21.11 % dos votos, Francisco Louçã, o candidato do BE, obteve 425 votos (5,7%) e Garcia Perreira 18 votos (0,24%).

21 janeiro 2006

 

Mais participação dos cidadãos – (II) – O que se passa com os cidadãos?

Conhecer a opinião dos habitantes de Alcácer não é fácil. Isto não só por que há evidentemente muitas opiniões diferentes numa cidade, mas sobretudo pelo facto das pessoas estarem pouco habituadas a exprimir o que pensam e sobretudo a fazê-lo abertamente. Muitas vezes, existe um discurso oficial e um outro escondido. A sociedade tem muitas fracturas. A má-língua domina a praça pública e não só. Pouca gente acredita que uma pessoa pode investir-se numa coisa püblica, sem buscar lucro ou emprego, mas só por amor de Alcácer. As fantasmas, as suspições e a inveja espreitam de todo lado. De mais, existe todo lado uma "politização" que se resume em conflitos de interesse.

Nos blogs e nos fóruns, consagrados aos assuntos de Alcácer, até mesmo neste, as pessoas apenas se exprimem a coberto do anonimato. Ouve-se sobretudo reclamar, desconfiar, criticar, para não dizer calomniar ou injuriar. – Voltarei a falar sobre os comentários nos blogs e nos fóruns. Não podemos enganar-nos: estes são vozes minoritárias.

O que interessa aqui é a reacção da população de Alcácer às novas autoridades locais. Será que as pessoas aceitam que, com esta nova Câmara, se abrem também novas perspectivas? Quer se goste ou não da equipa no poder, devemos admitir que Pedro Paredes e a sua equipa começaram por mexer em muita coisa na administração e que se adivinham alterações positivas mais profundas. Outros exemplos irão certamente seguir-se.

As aberturas, potenciais ou em perspectiva, têm que se agarrar já, enquanto Alcácer vive em plena "lua-de-mel" com a nova equipa (após um casamento de 30 anos com um regime CDU). A experiência tem-nos ensinado que cada poder, à medida que o tempo passa e dilacerado por interesses de toda a espécie, tem tendência a fechar-se pouco a pouco. É portanto já que os cidadãos têm interesse em participar, para poder pesar na orientação política da equipa de Paredes.

Durante a campanha eleitoral das autarquias, as promessas eleitorais dos candidatos aos lugares na Autarquia e nas Juntas, abundavam, garantindo que tinham estudado a fundo as questões e que ouviriam certamente com atenção a população. Alguns, como o Movimento dos Cidadãos, estavam de tal maneira orgulhosos do trabalhado realizado que apenas revelavam uma parte, sob pretexto de não querer que os partidos rivais lhes «roubassem» as suas boas ideias e afirmando que era preciso esperar o resultado das eleições para conhecer o resto.

Desde as eleições municipais, os grupos deixaram de se manifestar. Mantêm o silêncio, sob o pretexto que é necessário deixar a nova equipa trabalhar, antes de julgar. - As discussões no blog Movimento dos Cidadãos pararam totalmente. É preciso reconhecer que eram pouco interessantes, pois a maioria dos participantes esgotava-se em polémicas estéreis e por vezes mesmo vulgares (como é o caso do blog «Sal de Alcácer», em que a participação dos leitores é também fraca e nunca sai do anonimato).

Estas pessoas – na sua maioria jovens – parecem desfasadas em relação aos simples cidadãos, que parecem mais dispostos a seguir o apelo à participação. O exemplo dos comerciantes já foi citado. Não sé como as coisas estão na area do desporto, da educação, da administração autárquica, etc.

É preciso compreender a desconfiança das pessoas. Mas para ganhar a sua confiança é preciso sobretudo ser honesto e não enganar ninguém.
Miguel Mosquito

19 janeiro 2006

 

Mais participação dos cidadãos –(I): O que aconteceu às promessas da Câmara ?

Quando o arquitecto Paredes e a sua equipa entraram em funções, há dois meses, escolheram como foco das suas ambições uma maior participação dos munícipes nos assuntos públicos da Municipalidade e em especial, nas decisões da Câmara. Muita gente se mostrou então incrédula, quer por que uma sociedade mais participativa não faz parte da sua experiência de vida, quer por pensarem que se tratava apenas de um slogan político, ideal para apanhar votos na campanha eleitoral, mas que afinal não teria qualquer efeito. O que podemos dizer de isto tudo, após 80 dias do reinado «socialista» do Arquitecto Paredes?

As «tournées» que o Presidente e os seus vereadores fazem regularmente às diferentes Juntas de Freguesia e os esforços efectuados para melhor servir os munícipes nos guichés da Câmara (consultar o relatório provisório dos primeiros 30 dias, datado de 10 de Dezembro) parecem ser passos na direcção certa. Mas, é preciso constatar em primeiro lugar que a participação não é coisa que se decrete, aprende-se, se se quiser. Ora, quase ninguém aproveitou a ocasião para assistir às reuniões públicas da Câmara. E no entanto, estas são geralmente bastante animadas, embora, na falta de documentos ou de qualquer «background», seja por vezes bastante difícil perceber o assunto das discussões.

Por vezes, fica-se melhor servido lendo o resumo ou a entrevista que o Presidente dá à Rádio Mira-Sado depois da reunião (consultar o site da Rádio Mira-Sado na Internet).

Por outro lado, com grande surpresa minha, havia muito mais público a assistir à sessão nocturna da Assembleia municipal do que às duas últimas reuniões da Câmara, embora estas fossem, na minha opinião, mais interessantes. (Claro, há mais "espectaculo" na Assembleia que nas reuniões da Câmara, mesmo se o Vereador Matias é geralmente um animador bastante divertido.)

Segundo ponto: a Câmara já começou a consultar os interessados sobre um certo número de dossiês, e seguir-se-ão outras consultas, no momento certo. Recordo sobretudo a consulta que teve lugar com os comerciantes do Concelho. Muitos dos comerciantes destacaram que era a primeira vez na sua carreira que a Câmara os ouvia e mostrava interesse na sua sorte. Isto pode ser um exagero, mas é inegável que, perante a profunda crise que atinge o comércio tradicional, pode descortinar-se, pela primeira vez, uma vontade dos comerciantes de tomarem o seu destino nas mãos. Infelizmente, a reunião de ontem foi um passo atrás. Uma "politização" exagerada, combinada com conflitos pessoaes e ressentimentos de frustrações com a actual direcção da Associação dos Comerciantes impedieram provisoriamente todo progresso. (Ver outra notícia em breve).

Esperemos que os representantes do sector da HORECA (restaurantes e hotelaria) consigam brevemente reunir-se para definir os seus interesses. Os seus problemas são apenas semelhantes em parte aos dos comerciantes, os seus horários de trabalho são diferentes e os seus problemas não se ligam essencialmente ao centro da cidade de Alcácer, mas a todo o concelho. São argumentos válidos para que os representantes da restauração e da hotelaria se organizem em separado para falar dos seus problemas e escolher os seus representantes e para também ser um interlocutor da Câmara e das outras autoridades públicas.

Por outro lado, o Presidente da Câmara já exprimiu a sua vontade de consultar os comerciantes e – esperemo-lo – os representantes da restauração, sobre o programa de animação da próxima Feira de PIMEL, em Junho próximo. Mas, diz-se por outro lado que os preparativos para a próxima PIMEL estão já adiantados e que há já bastantes ideias em cima da mesa no que respeita à reforma desta feira anual. – Perguntamo-nos para quando e com que objectivos terá lugar a consulta aos comerciantes e ao sector HORECA. Será apenas para os informar de decisões já tomadas? Ou será para os implicar, desde o início, num processo aberto e criativo?

No primeiro caso, a consulta não faria grande sentido e toda a gente se sentiria decepcionada, salvo aqueles que não acreditavam nisso desde o início e que se mantêm numa atitude cínica.

A mesma observação aplica-se também ao programa cultural da Municipalidade. Lamenta-se a falta de um debate alargado sobre os objectivos das intervenções da Câmara no domínio cultural, antes que se tenha definido um programa. Isso daria um sentido real a qualquer participação.

Em qualquer dos casos, os responsáveis da Câmara, se desejam verdadeiramente a participação dos cidadãos nas decisões, deveriam em primeiro lugar procurar o diálogo com os cidadãos interessados, ouvi-los com atenção e depois propor-lhes as suas próprias ideias. Ver-se-iam na verdade confrontados com um grande número de ideias e de interesses diferentes e deveriam depois arbitrar e decidir. É um processo laborioso, mas o único que pode conduzir a uma participação digna desse nome. Ainda lá não chegámos, Senhor Presidente e Senhores Vereadores da Câmara.

Mas são precisos dois para dançar o tango. E o espectaculo de desunião que davam onte os comerciantes, não ajuda para promover qualquer diálogo com eles. Qual é a situação com os cidadaus em geral ?
Amanhã, voltarei a falar sobre isto. (continua)
Miguel Mosquito

18 janeiro 2006

 

Pescar com Moisés no Rio Sado


 

Se fossem Alentejanos, não fariam isto


A gente no Porto/Matosinhos estão muito especiais e, como me parece, menos inteligentes que nós Alentejanos. Para pescar camarões, eles penduram grandes redes nas ruas e se admiram, se só apanharem borboletas.


Pois, a Câmara fez um monumento para a gente que se queixa de ter fome.



Vivem em edifícios como este



e precisam de tratamentos para dormir, não fumar e mesmo para amagrecer.


17 janeiro 2006

 

Para tornar Alcácer em Las Vegas ...


-- Para tornar Alcácer do Sal em Las Vegas, só precisamos de um casino e da Mafia !
-- Não, Senhor, só precisamos do casino !!
.... como as iluminações de Natal podem criar algumas ilusões (M.M.)

 

O Sol passa o seu Inverno no Litoral Alentejano






Praia de Melides, 1º de Janeiro 2006

 

A Câmara Municipal quer inaugurar conta para construção do quartel dos Bombeiros Voluntários


A Câmara Municipal de Alcácer do Sal pretende incluir no orçamento para este ano, ainda em elaboração, uma verba que sirva de arranque a uma conta que os Bombeiros Voluntários de Alcácer do Sal (BVAS) deverão criar para acumular os apoios à construção do novo quartel. A novidade foi dada ontem, durante o primeiro encontro entre responsáveis pela corporação e o novo executivo autárquico. Tratou-se de uma visita às actuais instalações dos soldados da paz durante a qual houve lugar a formatura e apresentação de cumprimentos. O presidente do município, Pedro Paredes, aproveitou igualmente parareferir "todo o apoio necessário" aos BVAS, disponibilizando-se para aacompanhar a direcção daquela instituição e o seu comando numa deslocação que estes pretendem efectuar ao Ministério da Administração Interna como forma de sensibilizar a tutela para incluir a construção do quartel no próximo PIDDAC e para a qual pretendem igualmente a presença da governadora civil do distrito de Setúbal. Pedro Paredes anunciou também que a edilidade vai criar um gabinete especificamente para coordenar a protecção civil e gerir a informação diariamente emanada do organismo distrital. Garantiu igualmente que vai cumprir o protocolo existente entre a câmara e a corporação. Pela parte dos BVAS, tanto António Balona, como Valdemar Gonçalves, respectivamente presidente da direcção e comandante, manifestaram total abertura no relacionamento entre as instituições, tendo o segundo salientado a "grande dificuldade" sentida em termos de recrutamento de voluntários, culpando a grande dimensão do concelho emoposição à baixa densidade demográfica. Os Bombeiros Voluntários de Alcácer do Sal têm um efectivo de cerca de 90 elementos, um terço dos quais faz parte do seu quadro de pessoal.Todos os dias se formam três turnos e a instrução também é diária. O quartel que ocupam, no centro da cidade de Alcácer, foi construído em1935 e, apesar de ter sofrido diversas ampliações e adaptações, há muito que está desadequado das reais necessidades da corporação, ao que se acrescenta o facto de se encontrar muito próximo do Sado e a uma cota baixa, o que origina inundações com alguma frequência. A instituição possui terreno para a construção e o projecto está actualmente a ser desenvolvido num gabinete da especialidade.

 

Alcácer do Sal: RTP filma Santuário do Senhor dos Mártires

A Câmara comunica: "Uma equipa de reportagem da RTP esteve hoje em Alcácer do Sal, onde realizou gravações sobre o Santuário do Senhor dos Mártires, recentemente aberto ao público. O trabalho, que se debruça sobre a história, características arquitectónicas, misticismo, valor patrimonial e religioso daquele conjunto de construções e respectivo espólio, destina-se a ser incluído, em data a anunciar, no programa ?Portugal em directo?, que passa na televisão pública (Canal 1) de segunda a sexta-feira, entre as 18 e as 19 horas, com apresentação de Dina Aguiar.

Nas filmagens participaram João Faria, vereador da Cultura na Câmara Municipal de Alcácer do Sal; Abílio Lopes, pároco de Santa Maria do Castelo e a dona Ricardina, funcionária da autarquia que abre e fecha o núcleo museológico".

13 janeiro 2006

 

Até muito breve ....

Estou fora de Alcácer. Por esta razão, há pouco de notícias no blog "Sal d´Alcácer". Voltou já com novas ideias e novas imagens deste Portugal "único" !!
Até muito breve.....
Miguel Mosquito

12 janeiro 2006

 

Alcácer do Sal: Abertura ao público do Santuário do Senhor dos Mártires

A Câmara Municipal comunica: "O Santuário do Senhor dos Mártires, situado em Alcácer do Sal, um dos templos cristãos mais antigos do país e sepulcro dos primeiros mestres da Ordem de Santiago, abriu recentemente ao público, abarcando agora também um núcleo museológico. O monumento, que retrata de forma única a sucessão de períodos artísticos entre os séculos XIII e XVI e tinha sido recuperado há cerca de uma década pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, pode agora ser visitado de segunda a sexta-feira, entre as 10 e as 12 horas e das 14 às 17 horas.

Situado fora da zona central da cidade, o santuário foi inicialmente uma ermida de romagem e, mais tarde, ?funcionou praticamente como panteão da Ordem de Santiago?, explica João Faria, vereador com o pelouro da Cultura na autarquia, lembrando que, até agora, aquele ?só era aberto esporadicamente, para casamentos e algumas missas especiais?.

O conjunto de construções teve o seu arranque na época da reconquista, foi engrandecido no século XIV e transformado desde o século XVI em diante, sendo composto por quatro núcleos, o mais antigo dos quais é a Capela do Tesouro, situada do lado direito da igreja e nitidamente separada do seu corpo central. A esta se juntam a igreja propriamente dita e as capelas de Maria Resende e dos Mestres, esta última fundada por Garcia Peres, em 1333, e que, segundo informação do IPPAR ? Instituto Português do Património Arquitectónico, ?é um dos mais importantes monumentos góticos nacionais?, na medida em que é uma das primeiras, se não mesmo a primeira capela funerária de planta centrada construída em Portugal?.

João Faria, que também é arqueólogo, acrescenta ainda que, para além de se ter descoberto no átrio uma necrópole medieval ?com dezenas de túmulos?, ?começam a existir dados concretos, nomeadamente cerâmicas encontradas, que indicam que antes da Santuário do Senhor dos Mártires existia com toda a probabilidade ali um espaço religioso muçulmano?.

Paralelamente, nas antigas casas dos romeiros ? recuperadas através de uma candidatura a fundos comunitários levada a cabo pela Irmandade que zela por aquele monumento propriedade da Diocese de Évora ? foi criado um núcleo museológico que, embora ainda não concluído, engloba uma vasta colecção de cabeceiras de sepultura medievais, fragmentos de estátuas e capiteis, bem como um conjunto de elementos de arte sacra. Ainda este ano a Câmara Municipal de Alcácer do Sal conta contribuir para a aquisição de uma vitrina onde serão expostos paramentos religiosos antigos, e de dois módulos expositores para a colocação de espólio arqueológico"

Comentário de Miguel Mosquito: Parabéns à Irmandade de Nosso Senhor do Mártires para este trabalho marevelouso ! E parabens também aos responsaveis da Câmara , actuais e CDU, para permitir esta obra. Agora precisamos dar vida à esta igreja magnífica.

 

Alcácer do Sal: Encerramento do SAP ? conclusão da reunião

A Câmara comunica: "O presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Pedro Paredes, reuniu hoje com o director da Sub-região de Saúde de Setúbal, Rui Monteiro, e com o director do centro de saúde local, Mário Moreira. Em cima da mesa estiveram temas como a eventual não existência de um SAP ? Serviço de Atendimento Permanente no novo centro de saúde, que deverá abrir ao público em Fevereiro, bem como as razões que até agora impedem a sua abertura.

Na reunião houve receptividade por parte do responsável da sub-região de saúde para resolver o problema, cuja decisão, no entanto, caberá à tutela e deverá ser tomada no próximo mês. A solução pode passar pela criação em Alcácer de uma UBU ? Unidade Básica de Urgência, estrutura que substitui os antigos SAP, mas apetrechada com mais equipamento.

A informação sobre a extinção do SAP surge no seguimento de medidas de racionalização de meios no Serviço Nacional de Saúde e pode aplicar-se a serviços que atendam menos de dez utentes por noite. Em Alcácer a média é de cerca de metade, no entanto, o município, que é o segundo maior do país ? com cerca de 1.500 quilómetros quadrados ? enquadra-se no outro critério utilizado pelo ministério, já que tem vários núcleos urbanos a distância superior a uma hora, quer para o Hospital de Santiago do Cacém, quer para o de Setúbal, o qual o concelho quer continuar a ter como unidade de referência.

Os casos mais graves em termos de percurso são Barrancão, Rio de Moinhos, Torrão, Pinheiro ou Comporta, argumento ao qual se juntam os da população envelhecida e das más condições das estradas.

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal também se comprometeu a elaborar um estudo de trânsito para a criação de um acesso ao novo centro de saúde e a colocar sinalética para indicar a sua localização. Disponibilizou-se ainda para ceder um arqueólogo que acompanhe as escavações necessárias para proceder à ligação do centro à rede eléctrica, que passa por área classificada em termos de património".

07 janeiro 2006

 

As Noivas de Alcácer

O que Alcácer tem de mais belo são as suas noivas. Mas precisamos também mais crianças. Neste concelho morrem cada ano mais ou menos 180 pessoas, mas nascem só à volta de 80 crianças. A imigração não chega para compensar a diferença. Nos ultimos quatro anos, a população diminuí de cerca 350 pessoas.

 

Porquê ?

Olival de Nosso Senhor dos Mártires em Alcácer do Sal
- Pai, a gente diz que temos o melhor azeite do mundo. Mas, na escola nos dizem que Portugal não chega a produzir o azeite que consume. A metade está importada de fora. É verdade ?
- É verdade, filho.
- Porquê ?
- Porqué, em Portugal, e mesmo em Alcácer do Sal, muitas oliveiras não são tratadas e as azeitonas não são apanhadas ?
- Porquê ?
- Porqué a mão d’obra é cara, filho.
- Pai, é mais cara em Portugal que na Espanha ?
- Não, filho, é mais barata em Portugal.
- Então, porqué os Espanhois vendem azeite para Portugal e compram muitos olivais no Alentejo ?
- Porque os Espanhois gostam trabalhar filho, e gostam fazer coisas !
- E os Portugueses, Pai ?
- Eles gostam também do azeite, mas só no prato.

Comentário do Miguel Mosquito : Os Portugueses consomem mais ou menos 80.000 toneladas de azeite por ano. Só a metade, o que é 40.000 toneladas são produzidos em Portugal. O resto está importado, essencialmente da Espanha, da Tunisia, da Turquia e da Grécia. Três empresas controlam mais ou menos 70% do mercado de Azeite português : O Galo, Oliveira da Serra e mais uma. Portugal é o único país da União Europeia que recebe subsídios para aumentar a produção de azeite. Mas não consegue. Os Espanhois não podem aumentar a superfície de oliveiras na Espanha. Por isso, compram azeitonas em Portugal e tambem muitas oliveiras na zona do Alentejo perto da fronteira espanhola.

 

As acções culturais da Câmara Municipal

Sinceramente, eu esperava que a nova Câmara municipal, antes de definir as accões culturais que recebem um apoio da Câmara, convocasse todos os actores e interessados neste dominio (associações musicais, de teatro, de folclore, pintores, poetas, professores, arqueólogos, museologos, gastrónomos, autores, escultores e não, etc.) numa espécie de «assembleia geral » para discutir das finalidades de uma acção autárquica no dominio cultural e artístico. A ideia de reunir gente de tantos horizontes e interesses diferentes, e também com tantas expectativas financeiras ( !) deve ser um pesadelo para quem tem responsabilidade para a cultura e, assim, a coisa não se faz.
Eu não gostou falar de uma « política cultural » porque uma « política » tem tendência de não respeitar a diversidade das manifestações culturais e artísticas numa pequena entidade que é o Concelho de Alcácer. Mas, como os meios de apoio são sempre insuficientes para apoiar todas as iniciativas, seria bom de definir os objectivos e critérios dos apoios autárquicos. Se não, as intervenções arriscam-se ser arbitrárias e não corresponder à qualquer visão, o por menos não ser compreendidos. Como as medidas são escassas, me parece indicado definir prioridades e juntar accões que podem corresponder à várias finalidades, como por exemplo, atrair pessoas de fora (actores e público), mas no mesmo tempo ter um valor educativo para os actores culturais de aquí. O que Alcácer precisa também são manifestações fortes que atraiam a atenção dos média e que contribuem para recolocar Alcácer na mapa do Portugal. Desta maneira algumas manifestações artísticas podem, entre outros, contribuir para o desenvolvimento do turismo. A ideia de atrair « artistas em residência » vai na mesma direcção. - O que precisamos menos, na minha opinião, são manifestações artísticas que são simples « tournés provinciais » de companhias metropolitanas com pouca ou nehuma relação com a gente de aquí.

Neste momento, o programa cultural da Câmara municipal está ainda em elaboração, mas já se manifestam as grandes linhas de accões. Para dar justíca ao vereador da Cultura que em nosso caso é um Arqueólogo, começamos falar de arqueologia.
Segundo fontes da Câmara, o Nucleo Museulógico da Irmandade do Senhor dos Mártires vai começar em Maio ou Junho com os trabalhos de escavação dos fundamentos de uma antiga casa senhorial romana com anexos, em Santa Catarina. Neste projecto estão associadas equipas da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade Clássica de Coimbra, e com certeza o novo arqueólogo da Câmara Municipal que se chama Dr. António de Carvalho.

Também neste ano vai ser inaugurado o Museu Municipal nos fundamentos da Pousada. As obras de recuperação da Igreja do Espirito Santo, actual sede principal do Museu, vão começar em Março ou Abril. Está também prevista a recuperação de uma antiga cisterna romana perto da Escola Pedro Nunes B2/3

No mês de Maio será organizada uma semana de cultura com vários exposições, bailados e concertos, onde se destaca uma exposição, o Islamismo em Alcácer do Sal, que será inaugurada no dia 18 de Maio no Auditório da Biblioteca Municipal. Haverá também uma mostra de doçaria do Concelho num ambiente medieval.

Na altura da Feira de PIMEL, em Junho sera organizada uma feira de livros no jardim público.

No mês do Novembro será inaugurado o 1° Encontro História e Arqueologia local em Alcácer do Sal e no Sul do Alentejo.
Miguel Mosquito

06 janeiro 2006

 

Aeroporto de Ota: não obrigado

Nós, aquí, em Alcácer do Sal, não precisamos do futuro Áeroporto de Ota.
A Companhia Aerea das Cegonhas de Alcácer do Sal (CACAS) prefere a torre da nossa igreja e atrai cada ano mais turistas para o nosso concelho.
Os nossos jovem visitantes sabem com certeza: em Alcácer do Sal pode-se sempre esperar a visita de uma cegomha.

 

Gente de cá: Dona Aciolinda Costa, varredora da EMSUA


Fomos habituados ver o “Chalé suiço“ que foi construído na margem sul do Rio Sado, há mais de dois anos,, como símbolo das obras inúteis da antiga Câmara Municipal, pois o Chalé nunca entrou em funcionamento e ficava sempre fechado (ver o meu “post” do dia ….. de Setembro). Mas agora o WC público já esta a funcionar, há mais ou menos três meses, e a pessoa responsável para a limpeza do local é Aciolinda Costa, uma empregada da EMSUA que trabalha nesta empresa municipal como varredora. Ela vem cá todos dias na hora do pôr do sol para fechar o WC e para fazer o que é necessário para assegurar a manutenção. Aciolinda me explica que no início chegava cá mais tarde, quando todo já estava escuro. Mas, á noite, o lugar não é tão seguro porque está frequentado por alguns pessoas marginais, alguns com problemas de droga. Por isso, perguntou aos chefes se mudar o horário e fechar as WCs mais cedo.
Para a Aciolinda, que está casada e que tem filhos, morando no bairro da Quintinha, a limpeza e manutenção do WC é um trabalho suplementar que a permite de ganhar mais alguns euros, em cima de seu ordenado normal modesto.
Aciolinda cresceu em Vale de Guizo e trabalhava aí no campo no outro lado do rio.. Ela me diz que se lembra muito bem da Reforma Agrária e dos muitos estudantes estrangeiros, alemães e holandeses que trabalhavam lá depois da Revolução dos Cravos. Me conta que, um dia, eles faziam um filme sobre a vida na cooperativa e uma grande parte do filme foi tornado na casa dela, com ela no papel mais ou menos principal. Quando ela conta esta história, os olhos de Aciolinda se ascendem de uma luz que transmite toda a importância que esta lembrança tem para a jovem e bela mulher que estava nesta época.

Miguel Mosquito


 

Janeiro ou Abril ?



Olival de Nosso Senhor dos Mártires; Alcácer do Sal; 04 de Janeiro 2005
Fotografias: Miguel Mosquito

Estamos no mês de Janeiro ou no mês de Abril ? Ninguém sabe, mas há certeza: a primavera passa o seu inverno no Alentejo.

 

Manuel Isaías, com as pernas na terra e legumes na cabeça

Como se sabe, o Manuel Isaías é um homem que tem as suas pernas na terra. A sua profissão de vendedor de peixe exige isso. Se trata de uma mercadoria frágil e de uma profissão, onde a margem entre ganhar dinheiro e perder dinheiro é pequena para quem não tem cuidado. Manuel foi talvez um dos primeiros comerciantes em Alcácer que tem compreendido que a concorrência dos supermercados em Alcácer do Sal vai obrigar o comercio tradicional a adaptar-se e a reposicionar o seu negócio. Em termos de preço, os grandes superfícies são imbatíveis, em termos de qualidade não são. Conclusão, o que é preciso é vender produtos de qualidade a preços acessíveis. O que, no caso do Manuel, foi também preciso, é não depender de só um tipo de produto. Então, o que fazer ?
Desde que construiu a sua nova casa atrás da Igreja de Nosso Senhor dos Mártires, há 5 anos, o coração de Manuel começava bater cada vez mais para a cultura de vegetais.
Ele começava sonhar em cultivar a sua terra que mede mais ou menos seis hectares.
No primeiro lugar, preparou a terra para uma horticultura moderna, com um sistema de rega que necessita o menos possível de intervenção humana. Para produzir a bom preço legumes de qualidade, precisava de utilizar os métodos de produção adaptados. Não vale a pena imitar os produtos importados de Espanha que na maioria dos casos são produtos com pouco sabor porque são de cultura forçada com todos os truques da industria química. Para combater os parasitas, Manuel diz utilizar o menos possível de pesticidas químicos e para o crescimento das plantas utiliza exclusivamente uma espécie de estrume.
A horticultura dele não é cem porcento biológica, mas tenta respeitar o máximo possível as regras da produção tradicional.

Hoje em dia, cerca 35 – 40% do terreno estão cultivados e o dono não tem um minuto para parar. Ele faz tudo, com a ajuda ocasional dos filhos, eles que têm outras preferências na vida, mas ajudam, como o faz também a mulher “Didi” que trabalha essencialmente na loja. Braços não há demais, porque, como me explica o Manuel, a mão de obra não só é cara mas difícil de encontrar e muitas vezes pouca motivada.

Durante a nossa visita da horta, no dia 4 de Janeiro, o Manuel estava apanhar as últimas couves-flor que vendeu essencialmente no período de natal. Ele nos mostra também os brócolos que estão a crescer, a couve lombarda e o repolho coração de boi.
Aproveitando do sol de Janeiro, o alho francês começa a mostrar as suas folhas jovens fininhas, e nas cenouras podem-se ver só a primeira manifestação das plantas.
« Eu faço tudo », diz o dono da horta. A enumeração dos produtos inclui alem dos vegetais já mencionados, as cebolas, o agrião, a alface, a batata branca (entre outras a olho de perdiz) e a batata roxa, os nabos, a couve portuguesa e a couve galega, as favas, a melancia, o melão e a meloa, os pimentos, a salsa e os coentros e, naturalmente, os morangos. O agrião é mesmo de cultura 100% biológica. Ele cresce numas « piscinas » feitas por Manuel com a água nascente que sai da terra.
A salsa e os coentros começam a sua carreira num « túnel». Os espinafres e nabiças nascem também num túnel com rega artificial.
Onde se venda toda esta produção ?

Naturalmente nas duas lojas do Manuel Isaías na Rua Direita e nos Açougues. Já há anos, que as peixarias tradicionais foram transformadas em lojas de alimentação mais diversificadas. Mas só uma pequena parte dos produtos transitam nas duas lojas. O génio do Manuel foi de pensar a abastecer clientes institucionais regulares no concelho. E ele tem hoje contratos com vários escolas, com o centro de dia da Santa Casa de Misericórdia, com o Centro infantil e outros instituições que alimentam cada dia centenas e centenas de pessoas. Existe também uma loja em Grândola que é cliente dele, mas nenhuma loja no Concelho de Alcácer.
Esperamos que o coração do Manuel resista bem e que seu negócio vá florescendo. E mais uma pequena observação : Se o Mercado de Alcácer seguisse o exemplo da loja de Manuel Isaías e apostasse em produtos locais de qualidade em vez de imitar as grandes superfícies e vender produtos importados de menos qualidade mas com preços mais altos, o futuro do Mercado Municipal seria talvez menos preocupante.
Miguel Mosquito