08 agosto 2005
Mobilisar o desenvolvimento económico e turístico de Alcácer


Toda a gente se queixa que Alcácer está «tão parada» E que haja tão poucas iniciativas por parte da Câmara para desenvolver as actividades económicas e turísticas.
Há algumas iniciativas privadas, mas são isoladas. Existem algumas iniciativas por parte das autoridades municipais, mas não são coordenadas com as iniciativas privadas. Porquê? Em primeiro lugar, por que a Câmara Municipal não possui qualquer interlocutor junto dos privados. Estes não conseguem organizar-se de modo a definir os seus interesses comuns. Houve três tentativas sucessivas, nos últimos anos, para reunir os representantes do sector Horeca, que falharam miseravelmente no meio da indiferença geral.
Quando a Câmara Municipal organizou, em 2004, um debate público sobre o novo «sistema de mobilidades», apenas uma vintena de pessoas se apresentou. Entre elas, o próprio Presidente da Câmara e dez funcionários da Municipalidade. E no entanto, todos os habitantes da cidade foram convidados através de uma carta pessoal. Como se pode então acusar a Câmara de não consultar os cidadãos, e especialmente os comerciantes e os proprietários de restaurantes e de residenciais, quando ela altera completamente o sistema de trânsito na cidade?
Face à indiferença dos cidadãos, «os de cima» têm naturalmente tendência para agir como se não tivessem que dar contas a ninguém. Em plena época turística, revolve-se e torna-se impraticável o Largo de Camões, a nossa principal montra e sala de visitas. Não teria sido possível realizar estas obras durante a época morta?
E há mais exemplos: a Feira do Pimel que tem lugar todos os anos em Junho, à volta do dia de São João, está cada vez mais anémica. Por falta de ideias e de interesse, degenerou numa simples feira de cerveja, de bitoques e de música barulhenta, longe de corresponder à vontade original, que era apresentar uma montra das actividades económicas turísticas e culturais de Alcácer do Sal. Isso não impede as autoridades de se aplaudirem a si próprias e de pretenderem que a feira tem um sucesso cada vez maior. Neste ano em que se comemora o escritor Hans Christian Andersen, recorda-nos o seu conto sobre o «Rei que vai nu». Mas ninguém, na praça pública, ousa proclamá-lo.
O turismo: o Gabinete de Turismo faz a promoção do turismo, nas feiras nacionais e no estrangeiro sem qualquer participação do sector turístico e sem consultar os interessados. A Câmara organiza, ano após ano, um concurso gastronómico, sem consultar os proprietários dos restaurantes sobre o regulamento, nem sobre o momento mais oportuno para o evento, nem sobre a sua difusão na imprensa. Também não pergunta a opinião aos interessados sobre as actividades náuticas, quando destrói os velhos cais e constrói novos. Gostar-se-ia, no entanto, de saber o que a Câmara pensa sobre o modo de facilitar a navegação no Rio Sado.
Mas basta de lamentações. O facto é que se têm as autoridades municipais que se merecem. Compete em primeiro lugar aos cidadãos organizar-se para discutir os seus interesses.
Uma mesa redondaNo que respeita à economia e ao turismo, deveria haver uma mesa redonda, mesmo informal que fosse, que se reunisse regularmente para troca de ideias e de informações e para confrontar os interesses de uns e de outros.
O Presidente da Câmara e os Vereadores competentes poderiam então apoiar-se nessa Mesa redonda para discutir uma estratégia de desenvolvimento local. Uma vez mais, estamos todos no mesmo barco. Cada um tem os seus interesses específicos, mas também temos pelo menos um interesse comum: que Alcácer se torne mais activa e mais jovem. Que a nossa Alcácer do Sal atraia cada vez mais gente de fora e saia enfim do seu sono de «Bela Adormecida».
Sem ultrapassar este isolamento em que cada um faz a sua vida, Alcácer continuará a ser essa cidade «estranhamente inerte», como é descrita num guia turístico francês (Géo).
Para mobilizar novas energias nos cidadãos, vamos começar pelo princípio! As eleições autárquicas são apenas uma etapa neste caminho difícil. Mas uma etapa importante.
Miguel Mosquito

